Ex-bombeiro militar e ex-deputado federal, Cabo Daciolo ganhou projeção nacional ao unir fé e política em discursos marcantes. Após disputar a Presidência em 2018, ele tenta retornar ao cenário eleitoral em 2026, carregando uma trajetória marcada por polêmicas, forte apelo religioso e posicionamentos fora do padrão tradicional da política brasileira.
O ex-deputado federal Cabo Daciolo (sem partido) voltou ao debate político nacional ao se colocar como pré-candidato à Presidência da República em 2026. Conhecido pelo estilo direto, falas marcadas por referências religiosas e posições consideradas fora do padrão tradicional, ele tenta repetir a projeção alcançada nas eleições de 2018.
Ao longo da trajetória, Daciolo construiu uma imagem pública baseada na fé, no nacionalismo e na crítica ao sistema político. Por outro lado, também acumulou episódios polêmicos que ajudaram a consolidar sua notoriedade — tanto entre apoiadores quanto entre críticos.
Quem é?
Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos nasceu em Florianópolis (SC), em 30 de março de 1976. Ainda jovem, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou no Corpo de Bombeiros Militar, carreira que o projetou inicialmente.
Casado e pai de família, ele também atua como pastor evangélico, elemento que se tornou central em sua identidade pública. Em seus discursos, é comum associar decisões políticas a princípios religiosos, o que marca sua atuação desde o início da vida pública.
Trajetória
A ascensão de Cabo Daciolo começou em 2011, quando liderou uma greve histórica dos bombeiros no Rio de Janeiro. O movimento reivindicava melhores salários e condições de trabalho e ganhou grande repercussão nacional, projetando seu nome para além da corporação.
Em 2014, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, inicialmente pelo PSOL. No Congresso, porém, sua passagem foi marcada por conflitos e posicionamentos considerados controversos. Em 2015, acabou expulso do partido após propor uma alteração na Constituição para incluir a expressão “todo poder emana de Deus”, o que gerou críticas por confrontar o princípio do Estado laico.
Após deixar o PSOL, passou por diferentes siglas e manteve atuação política com forte viés ideológico. Em 2018, disputou a Presidência da República e terminou em sexto lugar, com pouco mais de 1% dos votos, surpreendendo ao superar candidatos mais tradicionais.
Já em 2022, tentou uma vaga no Senado, mas não foi eleito. Agora, ao se posicionar para 2026, busca retomar protagonismo no cenário político nacional.
Polêmicas
A carreira de Cabo Daciolo é marcada por episódios que frequentemente repercutem nas redes sociais e no meio político.
Entre os principais pontos de controvérsia está a mistura entre religião e política. O ex-deputado defende maior presença de valores religiosos nas decisões do Estado, o que levanta debates sobre a laicidade das instituições brasileiras.
Além disso, ganhou notoriedade por declarações envolvendo teorias sobre “sociedades secretas”, como maçonaria e illuminati, especialmente durante a campanha presidencial de 2018. As falas viralizaram e o transformaram em uma figura recorrente em memes e debates online.
Outro episódio relevante foi a contestação do resultado das eleições de 2018, quando questionou o sistema de urnas eletrônicas sem apresentar provas aceitas pela Justiça Eleitoral.
Seu estilo também chama atenção pelo tom considerado messiânico, com discursos que misturam política, fé e referências espirituais, o que reforça sua identidade única no cenário político brasileiro.
Perfil político
Cabo Daciolo adota um discurso nacionalista, conservador nos costumes e fortemente ancorado na religião. Ao mesmo tempo, posiciona-se como crítico do sistema político tradicional, o que o aproxima de eleitores insatisfeitos com a classe política.
Mesmo fora de cargos eletivos, mantém relevância por meio das redes sociais e de aparições públicas, onde reforça sua base de apoio.
