A técnica envolve alterações diretas nos ossos das pernas, o que impacta não apenas a estatura, mas todo o funcionamento do corpo. Mudanças desse tipo podem afetar o alinhamento corporal, a forma de pisar e até a distribuição do peso, podendo causar dores crônicas e problemas na coluna ao longo do tempo.

Rico Melquiades (Reprodução/Redes Sociais)
Rico Melquiades (Reprodução/Redes Sociais)

A decisão do influenciador Rico Melquiades de passar por uma cirurgia para diminuir a própria estatura repercutiu nas redes sociais e levantou debates sobre um procedimento ainda raro na área da ortopedia.

Ao contrário das cirurgias mais populares voltadas ao aumento de altura, essa intervenção tem como objetivo encurtar os ossos das pernas. A técnica envolve a remoção de partes do fêmur, da tíbia ou de ambos, por meio de cortes cirúrgicos chamados osteotomias. Após essa etapa, os ossos são estabilizados com o uso de placas metálicas ou hastes internas, garantindo a correta cicatrização.

De acordo com a ortopedista Juliana Munhoz, o procedimento é considerado altamente complexo e exige um planejamento detalhado para reduzir riscos e preservar a mobilidade do paciente.

Segundo a especialista: “É uma cirurgia que envolve cortes nos ossos longos e uma reconstrução completa da estrutura. O grande desafio é manter o alinhamento correto das pernas, preservar nervos e músculos e não comprometer a biomecânica do corpo.”

Recuperação longa e delicada

O período de recuperação após a cirurgia de redução de estatura é considerado um dos pontos mais delicados do procedimento. Diferente de intervenções estéticas convencionais, o pós-operatório costuma ser longo e exige cuidados rigorosos, incluindo um tempo significativo sem apoio dos membros inferiores.

Segundo a ortopedista Juliana Munhoz, o paciente pode precisar permanecer vários meses sem andar, justamente para garantir a consolidação adequada dos ossos. Após essa fase inicial, ainda é necessário enfrentar um processo gradual de reabilitação, com foco na recuperação da força muscular e da funcionalidade.

Além do tempo prolongado de recuperação, a cirurgia também pode gerar impactos importantes no funcionamento do corpo. A alteração no comprimento das pernas interfere diretamente na forma de caminhar, no equilíbrio e na distribuição do peso corporal.

De acordo com a especialista, mudanças estruturais nos ossos afetam toda a biomecânica, podendo comprometer músculos, ligamentos e o padrão da marcha. Por isso, a fisioterapia intensiva se torna essencial para restabelecer a mobilidade, melhorar a estabilidade e permitir que o paciente volte a se locomover com segurança.

Possíveis complicações no pós-operatório

A cirurgia para redução de estatura, apesar de possível do ponto de vista técnico, envolve uma série de riscos que exigem atenção contínua durante todo o acompanhamento médico. Entre as principais complicações estão a dificuldade na consolidação dos ossos, falhas na cicatrização, rigidez nas articulações e possíveis desalinhamentos nos membros inferiores.

Esses fatores tornam indispensável o monitoramento frequente por especialistas ao longo de todas as etapas do tratamento, desde o pós-operatório imediato até a fase final de reabilitação. Qualquer intercorrência pode comprometer não apenas o resultado estético, mas também a funcionalidade do paciente.

De acordo com a ortopedista Juliana Munhoz, ainda há uma escassez de estudos que avaliem os efeitos dessa intervenção no longo prazo, especialmente quando realizada por motivos estéticos.

A especialista destaca que é fundamental considerar os impactos futuros da cirurgia, que podem surgir anos depois. Por isso, a indicação deve ser feita com extrema cautela, envolvendo uma análise detalhada e o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, garantindo que todos os aspectos, físicos e funcionais, sejam cuidadosamente avaliados antes da decisão.

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