Acontece na manhã desta segunda-feira (23), no Rio de Janeiro, o julgamento do caso Henry Borel. A Justiça analisa as acusações contra a mãe do menino, Monique Medeiros da Costa, e o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, então padrasto da criança, pela morte do garoto.

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Acontece na manhã desta segunda-feira (23), no Rio de Janeiro, o julgamento do caso Henry Borel. A Justiça analisa as acusações contra a mãe do menino, Monique Medeiros da Costa, e o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, então padrasto da criança, pela morte do garoto.

Em entrevista ao Fantástico, o promotor do caso, Fábio Vieira, afirmou que a estratégia das defesas deve ser tumultuar o andamento do julgamento.

“Monique é uma pessoa narcisista, que quer sempre se dar bem, não importa o que custar e, nesse caso, custou a vida do filho. Já o Jairo, na minha opinião, apresenta traços psicopáticos. Desde o início, a estratégia das defesas é criar o caos nesse processo”, declarou.

A defesa de Jairinho sustenta que a morte pode ter sido resultado de um acidente ocorrido enquanto o menino estava sob os cuidados do pai, Leniel Borel. Os advogados alegam falhas na investigação e apontam que a hipótese de acidente não teria sido devidamente considerada pela polícia.

“Não foi feita uma investigação adequada para saber o que pode ter ocorrido até 72 horas antes do fato. Será que ele foi ao parquinho e acabou caindo de algum brinquedo?”, questionou o advogado Rodrigo Faucz.

A Promotoria, no entanto, descarta qualquer possibilidade de acidente.

“Zero possibilidade. O laudo aponta laceração no fígado. Ficou muito claro que aquele menino foi agredido”, afirmou o promotor Fábio Vieira.

Já o advogado de Leniel, Cristiano Rocha, reforçou a acusação: “A ciência prova que Henry foi morto por Jairo”.

O que dizem as defesas

A defesa do ex-vereador acusa o pai de Henry de interferir nos laudos periciais. Segundo os advogados, o documento do Instituto Médico Legal (IML) teria passado por seis versões complementares, sob suposta pressão de Leniel.

Há uma manipulação clara. No mínimo, existe tráfico de influência dentro do IML, tudo direcionado para incriminar o Jairinho”, afirmou o advogado Fabiano Lopes.

O promotor rebateu as alegações e disse que o pai da criança não teria qualquer poder para interferir nas investigações.

Já a defesa de Monique Medeiros deve atribuir a responsabilidade exclusivamente a Jairinho. Ela nega ter conhecimento das agressões sofridas pelo filho e sustenta que foi manipulada pelo ex-vereador.

A Monique precisou ser presa para entender o que aconteceu e montar esse quebra-cabeça, chegando à conclusão de que estava sendo manipulada por ele”, afirmou a defesa.

Relembre o caso

Henry Medeiros Borel, de 4 anos, morreu no dia 8 de março de 2021, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O menino foi encontrado ferido no apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto.

O caso teve grande repercussão nacional e levou à criação da Lei Henry Borel, que endureceu punições para crimes contra crianças e adolescentes, além de estabelecer medidas protetivas específicas para vítimas de violência doméstica.

Jairinho está preso e responde por homicídio triplamente qualificado,  com emprego de tortura, motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima. Já Monique responde em liberdade, acusada de homicídio e omissão.

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