Na audiência de custódia, o erro foi reconhecido e a liberação autorizada com apoio do Ministério Público. O caso levanta questionamentos sobre falhas no cumprimento de mandados judiciais e reforça críticas ao sistema de verificação de dados, diante do risco de injustiças semelhantes.

Irmã gêmea presa ´por engano (Foto: TV Anhanguera/Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Irmã gêmea presa ´por engano (Foto: TV Anhanguera/Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Um erro de identificação resultou na prisão indevida de uma mulher em Goiânia, após ela ser confundida com a própria irmã gêmea. A vítima, Lucilene de 36 anos, foi detida por policiais militares em sua residência, mesmo não sendo a pessoa correta indicada no mandado judicial.

De acordo com a defesa, a ordem de prisão apresentava o nome da mulher no topo do documento, mas, em seu conteúdo detalhado, indicava como alvo a irmã gêmea, Luciene. A falha levou à detenção equivocada, fazendo com que a inocente permanecesse presa por dois dias até que o engano fosse reconhecido pelas autoridades.

Apesar da confirmação do erro, a Justiça de Goiás determinou a soltura da mulher com a imposição do uso de tornozeleira eletrônica, medida que gerou questionamentos por parte da defesa. O advogado, Kalleb Reis, responsável pelo caso afirmou que a cliente foi surpreendida pela abordagem policial enquanto se preparava para sair para o trabalho, o que também resultou em prejuízos profissionais, disse a defesa ao g1.

Mulher é presa mesmo com erro na identificação

O caso da mulher presa por engano em Goiânia ganhou novos desdobramentos após a confirmação de falhas no cumprimento de um mandado judicial expedido pela Justiça Federal. A ordem de prisão, emitida por um juiz em Gurupi, no Tocantins, tinha como alvo a irmã gêmea da vítima, condenada a 18 anos de prisão por crimes como extorsão mediante sequestro e associação criminosa.

Mesmo com a identificação correta descrita no conteúdo do documento, a mulher inocente acabou sendo detida por policiais militares e encaminhada à Central de Flagrantes. Posteriormente, foi transferida para a Casa de Prisão Provisória, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde permaneceu por dois dias até que o equívoco fosse reconhecido.

Durante a audiência de custódia, a Justiça de Goiás constatou o erro e determinou a imediata liberação da mulher. O Ministério Público também se posicionou favoravelmente à soltura, reforçando a inexistência de fundamentos para a manutenção da prisão.

Irmã gêmea presa ´por engano (Foto: TV Anhanguera)

Defesa alerta para risco de erros semelhantes

De acordo com a defesa, apesar de a inocência da vítima ter sido comprovada, o caso evidencia o risco de erros semelhantes atingirem outras pessoas que não consigam apresentar provas com a mesma rapidez.

O advogado responsável destacou que a situação vai além de um equívoco isolado, apontando para possíveis injustiças recorrentes. Segundo ele, há preocupação sobre quantos cidadãos podem estar sendo responsabilizados indevidamente em decorrência de falhas processuais e inconsistências em mandados judiciais.

Após deixar a prisão, a mulher permanece em casa e ainda tenta lidar com os impactos da experiência. A defesa relatou que ela ficou profundamente abalada emocionalmente, além de ter sofrido prejuízos financeiros e profissionais, já que perdeu compromissos de trabalho e teve sua imagem exposta de forma negativa.

Em relação ao uso de tornozeleira eletrônica, o advogado explicou que a medida foi adotada de forma provisória pela Justiça estadual, que não possui competência para julgar o caso. A decisão teria como objetivo garantir a liberação imediata da mulher enquanto a Justiça Federal realiza a correção formal do mandado de prisão, retificando os dados e esclarecendo o erro de identificação.

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