Na audiência de custódia, o erro foi reconhecido e a liberação autorizada com apoio do Ministério Público. O caso levanta questionamentos sobre falhas no cumprimento de mandados judiciais e reforça críticas ao sistema de verificação de dados, diante do risco de injustiças semelhantes.
Um erro de identificação resultou na prisão indevida de uma mulher em Goiânia, após ela ser confundida com a própria irmã gêmea. A vítima, Lucilene de 36 anos, foi detida por policiais militares em sua residência, mesmo não sendo a pessoa correta indicada no mandado judicial.
De acordo com a defesa, a ordem de prisão apresentava o nome da mulher no topo do documento, mas, em seu conteúdo detalhado, indicava como alvo a irmã gêmea, Luciene. A falha levou à detenção equivocada, fazendo com que a inocente permanecesse presa por dois dias até que o engano fosse reconhecido pelas autoridades.
Apesar da confirmação do erro, a Justiça de Goiás determinou a soltura da mulher com a imposição do uso de tornozeleira eletrônica, medida que gerou questionamentos por parte da defesa. O advogado, Kalleb Reis, responsável pelo caso afirmou que a cliente foi surpreendida pela abordagem policial enquanto se preparava para sair para o trabalho, o que também resultou em prejuízos profissionais, disse a defesa ao g1.
Mulher é presa mesmo com erro na identificação
O caso da mulher presa por engano em Goiânia ganhou novos desdobramentos após a confirmação de falhas no cumprimento de um mandado judicial expedido pela Justiça Federal. A ordem de prisão, emitida por um juiz em Gurupi, no Tocantins, tinha como alvo a irmã gêmea da vítima, condenada a 18 anos de prisão por crimes como extorsão mediante sequestro e associação criminosa.
Mesmo com a identificação correta descrita no conteúdo do documento, a mulher inocente acabou sendo detida por policiais militares e encaminhada à Central de Flagrantes. Posteriormente, foi transferida para a Casa de Prisão Provisória, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde permaneceu por dois dias até que o equívoco fosse reconhecido.
Durante a audiência de custódia, a Justiça de Goiás constatou o erro e determinou a imediata liberação da mulher. O Ministério Público também se posicionou favoravelmente à soltura, reforçando a inexistência de fundamentos para a manutenção da prisão.

Irmã gêmea presa ´por engano (Foto: TV Anhanguera)
Defesa alerta para risco de erros semelhantes
De acordo com a defesa, apesar de a inocência da vítima ter sido comprovada, o caso evidencia o risco de erros semelhantes atingirem outras pessoas que não consigam apresentar provas com a mesma rapidez.
O advogado responsável destacou que a situação vai além de um equívoco isolado, apontando para possíveis injustiças recorrentes. Segundo ele, há preocupação sobre quantos cidadãos podem estar sendo responsabilizados indevidamente em decorrência de falhas processuais e inconsistências em mandados judiciais.
Após deixar a prisão, a mulher permanece em casa e ainda tenta lidar com os impactos da experiência. A defesa relatou que ela ficou profundamente abalada emocionalmente, além de ter sofrido prejuízos financeiros e profissionais, já que perdeu compromissos de trabalho e teve sua imagem exposta de forma negativa.
Em relação ao uso de tornozeleira eletrônica, o advogado explicou que a medida foi adotada de forma provisória pela Justiça estadual, que não possui competência para julgar o caso. A decisão teria como objetivo garantir a liberação imediata da mulher enquanto a Justiça Federal realiza a correção formal do mandado de prisão, retificando os dados e esclarecendo o erro de identificação.
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