Lula decidiu enviar ao Senado a indicação de Jorge Messias para o STF ainda nesta semana. Apesar de resistências no Congresso, o governo acredita ter ambiente favorável para aprovação antes das eleições.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu encaminhar ao Senado Federal, ainda nesta semana, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
Segundo apuração da Folha de S.Paulo, a decisão já foi tomada, mas Lula pretende conversar novamente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, antes de formalizar o envio da mensagem. Segundo relatos, Alcolumbre teria sugerido adiar a sabatina para depois das eleições.
Cenário político divide avaliações
Aliados do governo avaliam que o ambiente no Congresso está mais favorável ao nome de Messias do que no fim de 2025, quando ele foi escolhido. Nos bastidores, ministros do próprio STF passaram a apoiar a indicação.
Entre os que teriam se manifestado favoravelmente estão André Mendonça e Kassio Nunes Marques, ambos indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, além de Gilmar Mendes e Cristiano Zanin.
Apesar disso, aliados de Alcolumbre avaliam que a resistência ao nome cresceu, especialmente após o avanço de investigações envolvendo o chamado esquema do Banco Master, que teria ligação com integrantes do centrão.
Pressão por votação antes das eleições
O presidente do Senado defende o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga e sugeriu que Lula adiasse a indicação para depois das eleições de outubro, o que poderia prolongar o processo por até um ano.
Mesmo assim, o presidente decidiu seguir com a indicação, reforçando que a escolha para o STF é uma prerrogativa do chefe do Executivo.
Nos bastidores, aliados do governo defendem que a sabatina e votação ocorram até maio, antes do recesso informal do Congresso em ano eleitoral. O próprio Messias também teria sinalizado que deseja encerrar o processo o quanto antes.
Articulação no Senado
Lula discutiu o tema com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar. Segundo relatos, Otto avaliou que Messias tem boas chances de aprovação.
Anteriormente, Alcolumbre chegou a marcar a sabatina, mas cancelou a sessão por falta de envio formal dos documentos — movimento interpretado como estratégia do governo para ganhar tempo e ampliar apoio político.
Trajetória de Jorge Messias
Procurador da Fazenda Nacional desde 2007, Jorge Messias construiu carreira no serviço público, com passagens por ministérios como Educação e Ciência e Tecnologia. Ele também foi secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior.
Durante o governo de Dilma Rousseff, atuou na Casa Civil, ganhando notoriedade nacional no episódio que o apelidou de “Bessias”, durante a Operação Lava Jato.
Mais recentemente, consolidou sua proximidade com Lula ao atuar como coordenador jurídico da transição de governo e, posteriormente, como principal assessor jurídico do presidente.
A vaga no STF foi aberta após a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso.
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