No relato, a influenciadora afirmou que chegou a acreditar que não sairia com vida, mencionando ameaças constantes e a preocupação com a própria família. O conteúdo ganhou grande alcance à época, reforçando a gravidade do caso apresentado por ela nas redes sociais.

Influenciadora Monniky Fraga (Reprodução/Redes Sociais)
Influenciadora Monniky Fraga (Reprodução/Redes Sociais)

A influenciadora digital Monniky Fraga, que possui cerca de 27 mil seguidores nas redes sociais, virou alvo de investigação após admitir ter inventado um sequestro com o objetivo de aumentar sua visibilidade online.

O caso ganhou repercussão após a própria criadora de conteúdo divulgar um vídeo descrevendo o suposto crime, que havia sido registrado anteriormente como real junto à Polícia Civil de Pernambuco.

Na gravação, publicada em abril de 2025, ela contou que teria sido rendida ao lado do marido por criminosos, que teriam agido de forma agressiva e exigido pagamento para a libertação do casal. Ainda segundo a versão apresentada na época, os suspeitos teriam solicitado joias, incluindo correntes de ouro exibidas por ela em publicações nas redes sociais.

“Foram horas dentro de uma mata, não sabia se eu ia voltar. Lá tinha um rio e a todo momento eu pensava: ‘Eles vão me matar e vão me jogar aqui dentro e eu nunca mais vou ver ninguém’. Na minha cabeça, eu só pensava nos meus filhos; Ameaçaram o tempo todo: ‘Vou atirar no joelho, vou atirar no pé’, mas eu supliquei tanto que nada aconteceu”, disse, aos prantos.

No entanto, após a denúncia formal, a Polícia Civil iniciou apurações e identificou inconsistências no relato. As investigações concluíram que o episódio não passou de uma encenação, criada com a intenção de gerar engajamento e atrair novos seguidores.

Operação Cortina de Likes é deflagrada

Durante o avanço das investigações, a Polícia Civil reuniu indícios que colocaram em dúvida a veracidade da denúncia apresentada. A partir de diligências, depoimentos e análises conduzidas com o apoio do setor de inteligência, os agentes concluíram que o suposto crime havia sido planejado pela própria investigada, caracterizando uma farsa.

A apuração resultou na deflagração da Operação Cortina de Likes, realizada nesta terça-feira (24) pelo Grupo de Operações Especiais (GOE). A ação teve como objetivo cumprir mandados judiciais em diferentes localidades, incluindo Igarassu, na Região Metropolitana do Recife, além das cidades de João Pessoa, na Paraíba, e Várzea Paulista, em São Paulo.

Ao todo, foram expedidas três ordens de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão. Segundo o delegado responsável pelo caso, Jorge Pinto, apenas duas prisões foram efetivadas. Um dos alvos não chegou a ser detido porque morreu antes da decisão judicial ser cumprida.

Plano foi elaborado para simular crime real

De acordo com as autoridades, o plano foi estruturado de forma detalhada para aparentar veracidade. Conforme explicou o delegado responsável pelo caso, os envolvidos utilizaram um carro com identificação adulterada e uma arma de fogo para simular a ocorrência, o que acabou mobilizando uma grande operação da Polícia Civil de Pernambuco.

As investigações continuam em andamento e devem ser concluídas dentro do prazo legal de até dez dias. Após essa etapa, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público, que ficará responsável por avaliar a apresentação de denúncia contra a investigada.

O delegado também ressaltou a gravidade da situação, destacando que esse tipo de conduta não pode ser tratado como algo trivial. Segundo ele, além de configurar crime, a falsa comunicação de ocorrência compromete o funcionamento das instituições e direciona recursos públicos que poderiam ser utilizados em casos reais.

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