A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro foi comemorada pela oposição, mas gerou preocupação sobre sua possível influência na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Aliados temem interferência excessiva e risco de descumprimento das regras impostas pelo STF.

Jair Bolsonaro apresenta melhora (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Jair Bolsonaro apresenta melhora (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Integrantes da oposição comemoraram a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de conceder prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas já demonstram preocupação com os efeitos da medida na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Lideranças do centrão e da direita avaliam que, em casa, Bolsonaro terá mais conforto e condições de se envolver nas articulações políticas. Mesmo com restrições de visitas, o ex-presidente poderá conversar com o filho, que também atua como seu advogado.

Receio de interferência na campanha

Por outro lado, há temor de que Bolsonaro amplie sua influência sobre a campanha de Flávio e acabe dificultando acordos políticos já construídos pelo senador. Aliados também avaliam o risco de o ex-presidente ultrapassar os limites impostos pela Justiça, o que poderia levar à revogação da domiciliar.

Segundo decisão do STF, Bolsonaro está proibido de usar celular, telefone ou qualquer meio de comunicação externa, direta ou indireta. O descumprimento pode resultar no retorno ao regime fechado.

Saúde e decisão judicial

Bolsonaro está internado no hospital DF Star, em Brasília, tratando uma broncopneumonia. A expectativa, segundo o cardiologista Brasil Caiado, é de alta na próxima sexta-feira (27).

A condição de saúde foi determinante para a decisão de Moraes, que concedeu prisão domiciliar por 90 dias. Com isso, o ex-presidente não precisará retornar à Papudinha, onde cumpria pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.

Influência de Michelle cresce

Nos bastidores, aliados apontam que a domiciliar fortalece o papel da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que terá acesso irrestrito ao marido. A avaliação é que ela pode ganhar ainda mais influência dentro do grupo político.

Michelle foi uma das principais articuladoras do pedido de domiciliar junto ao STF e, segundo aliados, demonstrou capacidade de diálogo em um momento delicado.

Cenário político

Enquanto isso, lideranças do PL consideram que a candidatura de Flávio já está consolidada. Ainda assim, há receio de que a atuação direta de Bolsonaro em casa altere os rumos da campanha.

Entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a avaliação é que o prazo de 90 dias servirá como teste para verificar se Bolsonaro cumprirá as restrições impostas pela Justiça.

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