LDados do IBGE revelam que meninas entre 13 e 17 anos apresentam níveis significativamente maiores de tristeza, ansiedade e sofrimento emocional em comparação aos meninos. A pesquisa também aponta fatores como pressão social, bullying e violência como determinantes desse cenário, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas à saúde mental dos adolescentes.

IBGE revela que meninas são mais ‘tristes’ do que meninos; entenda
IBGE revela que meninas são mais ‘tristes’ do que meninos; entenda

Um levantamento recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou um cenário preocupante sobre a saúde mental de adolescentes no Brasil: meninas estão mais vulneráveis ao sofrimento emocional do que meninos. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) 2024 e mostram que o número de jovens do sexo feminino que relatam tristeza frequente é cerca de duas vezes maior.

Logo no primeiro recorte, a diferença chama atenção. Entre estudantes de 13 a 17 anos, as meninas relatam com mais frequência sentimentos como tristeza constante, irritação, nervosismo e a sensação de que a vida não vale a pena. Além disso, a autoavaliação negativa da saúde mental é três vezes mais comum entre elas.

Diferença de gênero impacta saúde mental

De acordo com especialistas, o gênero tem impacto direto nesse cenário. A psicóloga Natália Del Ponte de Assis explica que o processo de se tornar mulher na sociedade atual traz desafios que afetam diretamente o bem-estar emocional.

Segundo ela, há uma pressão social intensa, principalmente relacionada à aparência, comportamento e aceitação. Esse contexto contribui para que meninas se sintam mais cobradas, julgadas e, consequentemente, mais vulneráveis emocionalmente.

Outro ponto destacado pelo IBGE é que essa diferença não está necessariamente ligada à condição econômica. Dados mostram que os índices de tristeza são semelhantes entre escolas públicas e privadas, o que reforça que o fator de gênero é determinante.

Bullying e pressão estética agravam cenário

A pesquisa também aponta que meninas são mais vítimas de bullying nas escolas. Cerca de 30,1% das adolescentes relataram ter sofrido algum tipo de humilhação recente, contra 24,3% dos meninos.

Os principais motivos estão ligados à aparência física, como rosto, cabelo e corpo. Além disso, um número maior de meninas demonstra insatisfação com o próprio corpo e acredita estar acima do peso, o que intensifica o sofrimento emocional.

Especialistas destacam que, enquanto meninos são socializados para expressar força e até comportamentos agressivos, meninas tendem a internalizar sentimentos, o que pode explicar os índices mais elevados de tristeza e ansiedade.

Violência e vulnerabilidade

Outro dado alarmante da pesquisa envolve a violência. Cerca de 11,7% das meninas afirmaram já ter sido forçadas a ter relações sexuais contra a própria vontade, quase o dobro em relação aos meninos.

Esse tipo de experiência impacta diretamente a saúde mental e contribui para quadros de sofrimento mais intensos. Além disso, sinais como isolamento, queda no rendimento escolar e mudanças de comportamento devem servir de alerta para pais e educadores.

Necessidade de políticas públicas

Diante do cenário, especialistas reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à saúde mental dos adolescentes, especialmente das meninas. O estudo destaca que investir em acolhimento psicológico, educação emocional e combate ao bullying é fundamental.

Apesar de alguns indicadores terem apresentado melhora em relação a anos anteriores, o IBGE alerta que os números ainda são preocupantes e exigem atenção contínua.

O levantamento reforça que compreender as diferenças entre meninos e meninas é essencial para criar estratégias eficazes de prevenção e cuidado, garantindo mais qualidade de vida para os jovens brasileiros.

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