A Justiça de São Paulo determinou que a prefeitura retome o serviço de aborto legal no Hospital Vila Nova Cachoeirinha. A decisão aponta que houve negativa de atendimento e prejuízo ao direito das mulheres.

Justiça manda Prefeitura de SP retomar serviço de aborto legal

A Prefeitura de São Paulo perdeu um recurso de apelação e terá de retomar o serviço de aborto legal no Hospital e Maternidade Municipal Vila Nova Cachoeirinha, unidade referência na realização do procedimento, especialmente em casos de gestações com mais de 22 semanas.

Serviço havia sido suspenso

Em dezembro de 2024, o hospital suspendeu a realização do procedimento, previsto em lei. Na época, a prefeitura informou que a interrupção seria temporária, mas não estabeleceu prazo para retomada.

A suspensão resultou em ao menos 15 casos de desrespeito ao direito ao aborto legal, segundo levantamento da Defensoria Pública.

Direito garantido por lei

No Brasil, a interrupção da gravidez é permitida em casos de estupro, risco de vida para a gestante e fetos anencéfalos.

A ação que levou à decisão judicial foi proposta pelo coletivo Educação em Primeiro Lugar, formado pelos parlamentares Luciene Cavalcante, Carlos Gianazzi e Celso Giannazi, todos do PSOL.

Decisão aponta negativa de atendimento

Na decisão, o relator Eduardo Pratavieira afirmou que médicos da rede municipal não estavam garantindo o atendimento adequado às pacientes.

Segundo o processo, houve falha no encaminhamento de mulheres e negativa de atendimento, o que teria causado nova vitimização.

“Ao contrário, em atos ilegais, promovem nova vitimização das mulheres vítimas de estupro, incutindo terror psicológico e emocional”, aponta a decisão.

Prefeitura contestou argumentos

A prefeitura alegou que outras unidades de saúde estariam realizando o atendimento, argumento contestado por parlamentares e organizações que atuaram no caso.

O tribunal entendeu que houve prejuízo ao direito das mulheres e rejeitou a justificativa de reorganização administrativa.

“A verdade dos fatos se provou diversa, revelando […] pura negativa do direito fundamental das mulheres ao aborto legal”, diz trecho da decisão.

Atendimento deve ser retomado

Com a decisão em segunda instância, que confirma entendimento de outubro de 2025, a prefeitura deve manter o serviço ativo na unidade.

Procurada, a Prefeitura de São Paulo negou que o atendimento tenha sido interrompido e informou que o serviço já foi retomado no hospital.

Leia mais no Bacci Notícias:

Vídeos curtos

Mais lidas