A defesa de Nataly Helen Martins Pereira, acusada de matar a adolescente grávida Emelly Beatriz Azevedo Sena (16), apresentou um laudo técnico que aponta que a ré estaria em surto psicótico no momento do crime. O caso ocorreu em março de 2025, em Cuiabá, e provocou forte comoção nacional pela brutalidade.
A defesa de Nataly Helen Martins Pereira, acusada de matar a adolescente grávida Emelly Beatriz Azevedo Sena, de 16 anos, apresentou um laudo técnico que aponta que a ré estaria em surto psicótico no momento do crime. O caso ocorreu em março de 2025, em Cuiabá (MT), e provocou forte comoção nacional pela brutalidade.
Segundo o advogado André Fort, o documento foi elaborado por uma equipe de especialistas em psiquiatria forense e psicologia. O parecer concluiu que a acusada apresentava delírios e alucinações e não tinha controle sobre suas ações quando o crime foi cometido.
“O parecer técnico que foi juntado aos autos concluiu que a minha cliente estava em pleno surto psicótico no momento dos fatos. Ela estava totalmente fora da realidade, ouvia vozes que lhe davam ordens e não tinha domínio do que estava fazendo”, afirmou o advogado em entrevista ao programa Cadeia Neles, da TV Vila Real.
Laudo aponta delírios e vozes que teriam influenciado o crime
De acordo com a defesa, o documento detalha que Nataly apresentava sintomas graves de transtorno psicótico, incluindo delírios com elementos místicos e religiosos. Segundo o advogado, a acusada relatava ouvir vozes que ordenavam que ela planejasse e executasse o crime.
“Ela ouvia vozes que davam ordens diretas para planejar e executar o crime. Também apresentava delírios e situações místicas, muitas vezes envolvendo religião”, declarou Fort.
Apesar de a acusação sustentar que houve planejamento, a defesa afirma que, na psiquiatria forense, é possível que uma pessoa em surto psicótico mantenha comportamentos organizados, inclusive planejando ações.
Histórico pessoal foi analisado no parecer técnico
O laudo também analisa o histórico de vida da acusada. Segundo a defesa, Nataly teria passado por situações traumáticas ao longo da vida, incluindo violência sexual, dependência de drogas e episódios de gravidez psicológica. De acordo com o advogado, esses fatores teriam contribuído para o agravamento do quadro mental.
“O histórico da minha cliente revela situações gravíssimas. Ela sofreu violência sexual dentro da família, teve dependência de drogas como maconha e cocaína e episódios de gravidez psicológica. Tudo isso foi se agravando ao longo do tempo sem tratamento adequado”, disse.
Defesa pede tratamento psiquiátrico em vez de prisão comum
Com base no laudo, a defesa sustenta a tese de inimputabilidade, quando o acusado não pode ser responsabilizado criminalmente por não ter capacidade de compreender seus atos no momento do crime. Apesar disso, o advogado afirma que não pede a libertação da cliente, mas sim internação em hospital psiquiátrico.
“A defesa não pretende que ela seja liberta. Pelo contrário, defendemos que ela seja submetida a tratamento psiquiátrico em regime fechado. É uma prisão médica, sem possibilidade de sair”, afirmou.
Crime chocou o país
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso, Nataly atraiu a vítima com a promessa de doar roupas para o bebê. No local, a adolescente foi imobilizada e assassinada. A denúncia aponta que a acusada realizou uma espécie de “cesárea improvisada”, retirando o bebê da barriga da vítima. O corpo da jovem teria sido enterrado no quintal da casa.
Após o crime, Nataly teria tentado se passar pela mãe da criança em uma unidade de saúde, mas exames médicos comprovaram que ela não havia dado à luz. O Ministério Público denunciou a acusada por feminicídio, tentativa de aborto, subtração de recém-nascido, ocultação de cadáver, fraude processual e falsificação de documentos. Para o promotor Rinaldo Segundo, a violência do crime demonstra extrema brutalidade.
“Nataly tratou Emelly como um mero objeto reprodutor, um ‘recipiente’ para o bebê que desejava”, afirmou o promotor.
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