Eutanásia é a prática de provocar a morte para aliviar sofrimento, geralmente em pacientes terminais. No Brasil, é considerada crime e enquadrada como homicídio. O país permite apenas a ortotanásia e os cuidados paliativos, que garantem dignidade sem antecipar a morte.

Eutanásia é prática proibida no Brasil (Foto: Freepik)
Eutanásia é prática proibida no Brasil (Foto: Freepik)

A morte por eutanásia voltou a chamar a atenção nesta semana após o caso envolvendo a jovem Noelia Castillo, de 25 anos, que conseguiu autorização judicial para realizar o procedimento na Espanha, após dois anos sob avaliação de comissões responsáveis.

Noelia ficou paraplégica após um episódio traumático em 2022 e passou a conviver com dores crônicas e sofrimento psicológico intenso. Por esse motivo, entrou com pedido para ter a vida cessada, embora o pai tenha tentado intervir, alegando que ela não teria condições psicológicas para tomar a decisão.

Mesmo com a contestação, diferentes instâncias da Justiça, incluindo tribunais superiores,  mantiveram o entendimento de que ela atendia aos critérios legais para a eutanásia, que é legal no país desde 2021, mas exige uma série de critérios, como comprovação de doença grave, sofrimento contínuo e avaliação médica rigorosa.

A eutanásia

A eutanásia é definida como a prática de provocar intencionalmente a morte de uma pessoa que enfrenta uma doença grave, incurável ou em estágio terminal, com o objetivo de aliviar sofrimento físico ou psicológico intenso.

Em geral, trata-se de uma intervenção direta, como a administração de substâncias que levam à morte, podendo ocorrer a pedido do próprio paciente ou, em alguns casos, por decisão de terceiros. Envolve questões complexas, que transitam entre a medicina, o direito e a ética na sociedade.

É liberada no Brasil?

No Brasil, a eutanásia não é permitida. A legislação não possui uma lei específica que trate diretamente do tema, mas a prática é enquadrada no Código Penal como homicídio, com diminuição de pena, conforme o Art. 121.

§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.

Outras possibilidades

Mesmo quando realizada por compaixão ou com o consentimento do paciente, a conduta é considerada crime. Em determinadas situações, o juiz pode reconhecer circunstâncias atenuantes, como o chamado homicídio privilegiado, o que pode reduzir a pena, mas não elimina a ilegalidade do ato.

Apesar da proibição da eutanásia, o ordenamento jurídico brasileiro admite outras práticas relacionadas ao fim da vida, especialmente quando o foco é garantir dignidade ao paciente. Uma delas é a ortotanásia, que consiste em não prolongar artificialmente a vida de pessoas em estado terminal, permitindo que a morte ocorra de forma natural.

Eutanásia em outros países

Em outros países, a eutanásia já é regulamentada sob critérios rigorosos. Nações como Holanda, Bélgica, Canadá e Espanha permitem o procedimento em situações específicas, geralmente com exigência de diagnóstico comprovado, consentimento do paciente e avaliação de mais de um profissional de saúde.

Esses modelos são frequentemente citados em debates no Brasil, tanto por defensores quanto por críticos da prática. A discussão sobre a eutanásia no Brasil ainda é marcada por divergências. Apesar dos pontos, ela permanece como prática proibida em território nacional.

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