A pesquisadora Soledad Palameta Miller, investigada por suspeita de furtar amostras de vírus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), descartou parte do material biológico dentro de um laboratório da instituição poucas horas após uma operação da Polícia Federal (PF) em sua casa.
A pesquisadora Soledad Palameta Miller, investigada por suspeita de furtar amostras de vírus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), descartou parte do material biológico dentro de um laboratório da instituição poucas horas após uma operação da Polícia Federal (PF) em sua casa.
A informação foi confirmada na sexta-feira (27) pelo delegado-chefe da PF em Campinas, André Almeida de Azevedo Ribeiro. Segundo ele, o descarte ocorreu dentro do Instituto de Biologia da universidade e levou à ampliação das investigações para possível fraude processual.
Descarte ocorreu após buscas na residência
De acordo com o delegado, agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão na casa da pesquisadora no sábado (21). Após a operação, ela retornou à universidade e entrou em um laboratório do Instituto de Biologia, onde descartou parte das amostras. Segundo Ribeiro, o instituto não havia sido lacrado naquele momento, o que permitiu o acesso da docente ao local.
A suspeita é de que o descarte tenha sido feito para eliminar provas relevantes para a investigação criminal. Apesar disso, a PF afirma que não houve contaminação externa ou risco à população, já que o material foi descartado dentro de um ambiente controlado.
Marido também é investigado
O marido da pesquisadora, Michael Edward Miller, também é alvo das investigações. Ele foi flagrado por câmeras de segurança deixando o Laboratório de Virologia da universidade com caixas no fim de fevereiro, período que coincide com o desaparecimento das amostras.
Segundo a PF, ele é investigado por furto qualificado. Já Soledad foi presa sob suspeita de manter organismos geneticamente modificados sem autorização, crime considerado permanente.
A defesa da pesquisadora afirma que não há materialidade na acusação e sustenta que ela utilizava os laboratórios do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria de pesquisa.
Unicamp comunicou desaparecimento do material
A investigação começou após a própria universidade comunicar o desaparecimento das amostras biológicas à Polícia Federal no dia 16 de março. No documento encaminhado às autoridades, a Universidade Estadual de Campinas já indicava o casal como suspeito. Como o caso envolve material biológico com potencial risco sanitário, a investigação ficou sob responsabilidade da PF.
Amostras incluem vírus da gripe
Entre os materiais levados do laboratório estavam amostras dos vírus Influenza A (H1N1) e Influenza A (H3N2), responsáveis por diferentes variantes da gripe. Parte do material foi localizada em um prédio da Faculdade de Engenharia de Alimentos da universidade e outra parte foi encontrada descartada no próprio Instituto de Biologia. Todas as amostras recuperadas foram encaminhadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária, que realiza análises para identificar todos os micro-organismos envolvidos.
PF descarta bioterrorismo
Segundo o delegado André Ribeiro, a investigação descartou qualquer ligação com bioterrorismo, hipótese que circulou nas redes sociais após a divulgação do caso. De acordo com ele, os indícios apontam que o episódio está relacionado a atividades de pesquisa conduzidas pelo casal e não a uma tentativa de disseminação deliberada dos vírus. A Polícia Federal segue apurando as motivações para a retirada irregular das amostras e se houve tentativa de ocultação de provas dentro da própria universidade.
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