Uma paciente de 64 anos, que contraiu HIV após receber um órgão contaminado em um transplante realizado em 2024, morreu no último dia 18. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro. A causa da morte ainda está sendo investigada. O caso, considerado inédito, envolve falhas graves em exames laboratoriais que resultaram na infecção de seis pacientes.
Uma das pacientes infectadas pelo vírus HIV após um transplante de órgão contaminado morreu no último dia 18 de março, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (1º) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ).
A vítima, uma mulher de 64 anos, fazia parte do grupo de seis pacientes que receberam órgãos infectados em outubro de 2024. Desde então, ela vinha sendo acompanhada por equipes médicas especializadas. A causa da morte ainda está sendo investigada.
Caso é considerado inédito
O episódio chocou autoridades de saúde e foi classificado como “sem precedentes e inadmissível”. Na ocasião, foi constatado que dois doadores estavam contaminados com o vírus HIV, o que levou à infecção dos receptores após os transplantes.
Os demais pacientes seguem vivos e continuam em tratamento médico.
Falhas e laudos fraudulentos
As investigações apontaram que o problema teve origem em falhas graves nos exames laboratoriais. O laboratório PCS Saleme, contratado pelo governo do estado, teria emitido laudos falsos negativos, ou seja, indicando que os órgãos estavam livres do vírus, quando na verdade estavam contaminados.
Segundo apuração, a empresa deixou de realizar testes obrigatórios, o que pode ter contribuído diretamente para o erro. Após a revelação do caso, o laboratório foi interditado pela Vigilância Sanitária, e o contrato com o governo foi rescindido.
O escândalo também provocou a renúncia da direção da Fundação Saúde, responsável pela contratação do serviço.
Investigações e processo judicial
O caso passou a ser investigado por diversos órgãos, incluindo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, a Polícia Civil e o Conselho Regional de Medicina.
Seis pessoas se tornaram rés no processo, incluindo sócios e funcionários do laboratório, acusados de crimes como associação criminosa, lesão corporal gravíssima, falsidade ideológica e falsificação de documentos. Parte dos investigados responde em liberdade, enquanto uma das envolvidas cumpre prisão domiciliar.
Além disso, o governo do estado firmou um acordo para indenizar as vítimas do caso.
Nota da Secretaria de Saúde
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro divulgou uma nota lamentando a morte da paciente e destacando o acompanhamento prestado desde o diagnóstico:
“A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) lamenta profundamente o falecimento da paciente, que aconteceu em 18/03, após internação em unidade especializada. Há um ano e cinco meses, ela vinha recebendo total assistência, era monitorada diariamente pela equipe multidisciplinar da Secretaria, que se solidariza com a família.
Em julho do ano passado, a paciente foi indenizada pelo Governo do Estado. A SES-RJ reforça que seguirá oferecendo suporte psicológico aos familiares.”
O caso segue em investigação, e autoridades buscam esclarecer todas as responsabilidades envolvidas no episódio.
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