A atriz Lidi Lisboa concedeu uma entrevista exclusiva para discutir a repercussão de suas recentes falas sobre o cenário político brasileiro e o sistema tributário. Durante a conversa com a repórter Má Brito, ela abordou temas sensíveis como a fome, a violência contra a mulher e a polarização digital, defendendo que a sociedade precisa de mais diálogo e menos confronto. Lidi também destacou a importância da responsabilidade do eleitor em anos eleitorais, pregando que o futuro do país depende de posturas protagonistas dos cidadãos.
A atriz Lidi Lisboa, conhecida por sua carreira consolidada na teledramaturgia brasileira, chamou atenção nas redes sociais nos últimos dias tornando-se alvo de críticas, após publicar uma reflexão que utilizava referências bíblicas para criticar o sistema tributário e as promessas políticas do país.
A atriz decidiu aprofundar seu posicionamento político em uma entrevista exclusiva ao portal Bacci Notícias. Sem recuar de suas convicções, Lidi analisou o atual momento da sociedade brasileira, marcado pela polarização e pelo uso de algoritmos que, segundo ela, deram microfone a todos, mas reduziram a capacidade de escuta.

A atriz Lidi Lisboa – Reprodução: Arquivo/Crédito: Jô Prazeiro
Sobre a divisão política no país, a atriz acredita que o fenômeno não é novo, mas ganhou proporções diferentes com a era digital.
“Creio que o Brasil não ficou mais dividido… ficou mais barulhento. A polarização sempre existiu, mas hoje ela ganhou microfone, Wi-Fi e algoritmo. Todo mundo virou comentarista político em tempo integral inclusive a gente no grupo da família”, pontuou Lidi.
Para a atriz, o grande desafio da democracia moderna não é eliminar as divergências, mas resgatar a civilidade.
“O impacto disso é curioso: ao mesmo tempo em que mais pessoas estão participando do debate público, a escuta diminuiu. É como se estivéssemos todos falando ao mesmo tempo, mas poucos realmente ouvindo. Pra mim, o desafio não é acabar com a divergência porque pensar diferente é saudável, e sim resgatar a capacidade de dialogar sem transformar tudo em confronto. Democracia não é sobre concordar, é sobre conviver”, explicou Lidi.
O termômetro da vulnerabilidade
Questionada sobre o impacto das leis e decisões governamentais na vida dos cidadãos, especialmente os mais pobres, Lidi Lisboa defendeu que seu olhar é voltado para a eficácia real das medidas, além dos discursos partidários.
“Eu acredito que falar sobre temas sensíveis não é, necessariamente, tomar partido… é tomar consciência. Quando penso nas decisões e leis de um governo, eu tento olhar menos para o discurso e mais para o efeito real na vida das pessoas principalmente das que já vivem no limite. Porque, no fim, política não deveria ser sobre quem vence o debate, mas sobre quem consegue jantar sem pular refeição”, afirmou a atriz.
Lidi utilizou a metáfora de uma mesa para descrever a desigualdade social persistente no território nacional.
“A população mais vulnerável é como um termômetro silencioso: quando ela melhora, é sinal de que algo está funcionando; quando piora, não adianta narrativa bonita a realidade grita. Eu vejo o Brasil como uma grande mesa: tem lugar pra todo mundo, mas nem todo mundo está conseguindo comer. Então, mais do que discutir quem está certo, talvez a pergunta mais urgente seja: quem ainda está ficando de fora? No fim, eu não tento ter todas as respostas… mas faço questão de não perder a capacidade de fazer as perguntas certas e, principalmente, de não me acostumar com o desconforto do outro”, desabafou.
A publicação de Lidi Lisboa que chamou atenção nas redes sociais || Reprodução: Instagram
O combate ao feminicídio
Outro tema abordado na entrevista foi a segurança da mulher e os índices alarmantes de feminicídio. Lidi acredita que o problema é mais profundo do que a simples ausência de legislação.
“Eu creio que o Brasil não sofre por falta de leis… sofre por falta de enraizamento delas na cultura. A violência contra a mulher não começa no ato extremo ela começa no silêncio que normaliza, na piada que diminui, no olhar que desrespeita e na educação que ainda ensina, de forma sutil, quem pode mais e quem deve suportar”, analisou.
Para ela, as políticas públicas precisam de um suporte cultural para serem efetivas.
“As políticas públicas são fundamentais, mas sozinhas são como guarda-chuvas em meio a uma tempestade que nasce dentro de casa. Falta continuidade, fiscalização, acolhimento real às vítimas e, principalmente, prevenção que começa muito antes da denúncia. Talvez o que ainda falte seja entender que proteger a mulher não é um ‘tema feminino’, é um compromisso coletivo. Não é sobre reagir depois da dor, é sobre construir uma sociedade onde essa dor não encontre espaço pra nascer. No fim, combater o feminicídio não é só punir o agressor… é transformar a mentalidade que, por tanto tempo, ensinou que ele podia existir”, defendeu.
A atriz Lidi Lisboa – Reprodução: Arquivo/Crédito: Jô Prazeiro
Responsabilidade pública e o peso do silêncio
Ao tratar de sua imagem como figura pública, Lidi Lisboa revelou que encara sua visibilidade com responsabilidade, evitando que o medo de rótulos a impeça de se manifestar.
“Eu sinto mais consciência do que peso. Ser mulher e ser ouvida, pra mim, não é um fardo é quase um convite à responsabilidade. Claro que existe o risco de rótulos. Mas, pensando bem, rótulos são uma forma apressada que o mundo encontra pra organizar o que ele ainda não teve tempo ou disposição de compreender. E eu não posso caber numa palavra só quando sou feita de tantas camadas”, declarou.
A atriz destacou que o silêncio também carrega um significado político e social.
“Existe, sim, um cuidado: o de não falar por impulso, mas também não me calar por medo. Porque o silêncio, muitas vezes, também é uma forma de posicionamento e nem sempre o mais justo. Eu tento ocupar esse espaço com honestidade, sabendo que não vou agradar todo mundo… mas também entendendo que não é esse o objetivo. Às vezes, o papel de quem tem voz não é ser consenso, é ser ponte. No fim, mais do que evitar rótulos, eu prefiro provocar reflexões. Porque opinião passa… mas consciência, quando desperta, não volta a dormir”, enfatizou Lidi.
Assista o vídeo:
Mudança de postura em ano eleitoral
Com a proximidade das eleições, a artista finalizou a entrevista pregando uma mudança de comportamento do eleitorado, fugindo da ideia de “salvadores da pátria”.
“Creio que, mais urgente do que mudar nomes, o Brasil precisa mudar posturas. A gente vive como se eleição fosse final de campeonato, quando, na verdade, deveria ser só o começo do trabalho. Não é sobre escolher salvadores, é sobre escolher caminhos e, principalmente, assumir que a responsabilidade não termina no voto”, alertou.
A atriz Lidi Lisboa – Reprodução: Arquivo/Crédito: Jô Prazeiro
Para o futuro, Lidi espera um país que priorize a educação e o compromisso com o presente.
“O país que a gente quer no futuro depende menos de promessas perfeitas e mais de compromisso real com o presente. Educação que forma pensamento, políticas que enxerguem quem sempre foi invisível e decisões que não sejam feitas só para agora, mas para o depois. Eu espero um Brasil que amadureça sem perder a sensibilidade. Um país que entenda que discordar não precisa significar destruir, e que construir dá mais trabalho mas também dá mais resultado. No fim, o futuro não chega pronto… ele é votado, cobrado e construído todos os dias. E talvez a mudança mais urgente seja essa: parar de esperar por ela como espectador e começar a vivê-la como protagonista”, finalizou a atriz.



