O Banco Central (BC) decretou sigilo de oito anos, até 2033, sobre os documentos relacionados à decisão do decreto de liquidação extrajudicial do Banco Master.
O Banco Central (BC) decretou sigilo de oito anos sobre os documentos relacionados à decisão do decreto de liquidação extrajudicial do Banco Master, ocorrido em 18 de novembro de 2025. A informação foi obtida pelo jornalista Jonatas Martins.
De acordo com a autoridade monetária, a decisão visa o “interesse público na preservação da estabilidade financeira, econômica e monetária do país”. O sigilo foi instaurado pelo presidente, Gabriel Galípolo, no mês em que a instituição encerrou suas atividades.
Banco Central impôs sigilo
Com a decisão, os documentos da liquidação não poderão ser acessados até novembro de 2033.
Ainda segundo o Banco Central, a divulgação de informações relacionadas ao Master pode prejudicar atividades de inteligência que investigam e realizam a fiscalização quanto à prevenção de crimes financeiros.
Liquidação do Banco Master
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição apontando grave deterioração da liquidez, comprometimento da situação econômico-financeira e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.
A medida ocorreu poucas horas após o anúncio de uma tentativa de venda do banco e foi acompanhada do avanço das investigações da Polícia Federal sobre supostas fraudes bilionárias envolvendo gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e emissão de títulos irregulares.
Outras instituições fecharam as portas
Na mesma primeira fase, o BC também liquidou outras empresas ligadas ao conglomerado: Banco Master de Investimento S.A., Banco Letsbank S.A. e Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. Paralelamente, o Banco Master Múltiplo entrou em regime especial de administração temporária, permanecendo sob supervisão.
A crise se ampliou nos meses seguintes. Em janeiro de 2026, houve a liquidação da CBSF DTVM e da Will Financeira, instituições apontadas como ligadas ao mesmo núcleo financeiro investigado.
Já em 18 de fevereiro de 2026, o Banco Central determinou a liquidação do Banco Pleno e da Pleno DTVM, elevando para oito o número de instituições encerradas na sequência do caso Master. Mais recentemente, em 17 de março de 2026, também foi decretada a liquidação do Banco Master Múltiplo, aprofundando o impacto sobre o conglomerado.
Daniel Vorcaro
No centro do caso está o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do grupo, que voltou a ser preso em nova fase da Operação Compliance Zero. Segundo as investigações, ele negocia um possível acordo de delação premiada, mecanismo em que o investigado colabora com informações, documentos, estrutura do esquema e nomes de outros envolvidos em troca de benefícios penais.
A eventual colaboração é vista como estratégica porque pode detalhar a engenharia financeira usada no grupo, a atuação de empresas intermediárias e a suposta cooptação de agentes públicos e executivos do setor.
Caso a delação avance, a tendência é que a investigação entre em uma nova etapa, com potencial de atingir outros nomes do mercado financeiro, agentes públicos e instituições que mantiveram relação operacional com o conglomerado Master. Nos bastidores, a possível colaboração de Vorcaro é tratada como peça-chave para esclarecer a extensão real do rombo e da rede de empresas envolvidas.
Leia mais no BacciNotícias:
