Avião que caiu sobre restaurante no litoral do RS não tinha caixa-preta, item não obrigatório no modelo. Polícia Civil e Cenipa investigam as causas do acidente, que matou quatro pessoas. Aeronave estava regular e fazia voo de demonstração para possíveis compradores.

Profissionais do Cenipa atuam nos destroços de avião que caiu em Capão da Canoa — Foto: André Ávila/Agência RBS
Profissionais do Cenipa atuam nos destroços de avião que caiu em Capão da Canoa — Foto: André Ávila/Agência RBS

O avião que caiu sobre um restaurante em Capão da Canoa, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, não possuía caixa-preta, confirmou a Polícia Civil nesta segunda-feira (6). O equipamento, responsável por registrar dados de voo e áudios da cabine, não é obrigatório para o modelo. As quatro pessoas que estavam a bordo morreram.

Investigação criminal em andamento

A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as circunstâncias do acidente e identificar possíveis responsabilidades. Como não há sobreviventes, os investigadores vão ouvir familiares das vítimas, testemunhas e pessoas ligadas à empresa proprietária da aeronave.

Segundo o delegado responsável pelo caso, a prioridade neste momento é a análise técnica. Apenas após a conclusão dos laudos será possível apontar eventuais responsabilidades penais.

Apuração técnica da Aeronáutica

Paralelamente, a investigação técnica é conduzida pela Aeronáutica, por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). O órgão analisa fatores humanos, operacionais e materiais que possam ter contribuído para a queda.

A apuração tem caráter preventivo, com o objetivo de evitar novos acidentes. Um relatório preliminar deve ser divulgado em até 30 dias, mas a conclusão final não tem prazo definido.

Investigadores do Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, com sede em Canoas, analisam destroços, documentos, registros de voo, condições meteorológicas, além de imagens e depoimentos.

Hipótese inicial do acidente

Fontes ouvidas pela reportagem indicam que a aeronave pode não ter decolado da cabeceira da pista e, com vento de cauda, não teria alcançado a velocidade ideal para uma decolagem segura.

Situação da aeronave

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião de matrícula PS-RBK estava em situação regular de aeronavegabilidade. Fabricada em 1999, a aeronave tinha capacidade para seis pessoas e peso máximo de decolagem de 1.970 quilos. O certificado de verificação era válido até 30 de maio.

O voo partiu de Itápolis, no interior de São Paulo, com destino ao Rio Grande do Sul, e fez uma escala em Forquilhinha, em Santa Catarina, para abastecimento.

A viagem tinha como objetivo a demonstração da aeronave a possíveis compradores, que utilizavam o modelo pela primeira vez.

Quem eram as vítimas

As vítimas foram identificadas como os empresários Déborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani, o sócio da empresa de aviação Renan Saes e o piloto Nelio Pessanha.

Vítimas de queda de avião são o casal Deborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani, o piloto Nelio Pessanha e o sócio da empresa de aviação Renan Saes — Foto: Reprodução/Redes sociais

Vítimas de queda de avião são o casal Deborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani, o piloto Nelio Pessanha e o sócio da empresa de aviação Renan Saes — Foto: Reprodução/Redes sociais

Antes do acidente, Renan Saes publicou um vídeo nas redes sociais mostrando a vista da janela do avião.

Velórios em três estados

O Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul liberou os corpos, e os velórios ocorreram entre sábado (4) e domingo (5), em cidades de três estados: Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.

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