A PF revelou que influenciadores foram usados para lavar dinheiro de crimes como tráfico e bets ilegais. O esquema, alvo da Operação Narcofluxo, movimentou mais de R$ 1,6 bilhão.
A Polícia Federal detalhou, nesta quarta-feira (15), o funcionamento do esquema de lavagem de dinheiro que levou à prisão dos cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além do influenciador Raphael Sousa Oliveira. Segundo os investigadores, a organização movimentou valores superiores a R$ 1,6 bilhão.

Carro de luxo, dinheiro e relógio Rolex apreendido em operação da PF contra funkeiros — Foto: Reprodução
Durante coletiva, o delegado da PF Marcelo Maceiras explicou que a Operação Narcofluxo é um desdobramento de investigações anteriores e tem como foco uma estrutura sofisticada de ocultação de recursos ilícitos.
“A Operação Narcofluxo é um desdobramento da Operação Narcobete, que mira uma estrutura de lavagem de dinheiro montada por uma associação de pessoas”, afirmou.
Estrutura envolvia crimes diversos
De acordo com o delegado, o esquema foi criado para dar aparência legal a valores oriundos de diferentes atividades criminosas. “Um mecanismo financeiro para tornar legítimos valores oriundos de atividades relacionadas a diversos tipos de crimes, desde o tráfico de drogas até bets ilegais e rifas online ilegais”, disse.
A investigação aponta que o dinheiro ilícito era inserido no sistema financeiro por meio de estratégias que simulavam operações legais.
Influenciadores como peça-chave
Um dos pontos centrais da investigação é o uso de figuras públicas com grande alcance nas redes sociais para movimentar valores sem levantar suspeitas.
“Eles se utilizam de pessoas que têm grande visibilidade para fazer a propaganda dessas empresas de apostas ilegais e para movimentar o dinheiro de forma a não chamar a atenção das autoridades”, explicou Maceiras.
Segundo ele, o alto volume de seguidores permite que essas transações ocorram com menor risco de alerta nos sistemas bancários.

Colar com imagem de Pablo Escobar e armas foram apreendidos pela PF contra MC Ryan SP e MC Poze do Rodo (Foto: Divulgação/PF)
Em outro trecho, o delegado detalhou como o dinheiro circulava: “O dinheiro saía como um pagamento em tese regular dessas atividades e essas pessoas conseguiam integrar esses valores ilícitos ao patrimônio, o que explica as postagens de ostentação, festas e bens de luxo exibidos nas redes sociais.”
Caminho do dinheiro
A PF afirma que acompanha o rastro financeiro da organização desde 2023, quando uma apreensão de drogas em um veleiro deu origem às primeiras apurações.
Desde então, as investigações avançaram por diferentes fases, passando por operações anteriores até chegar à atual. “Durante todo esse fluxo operacional, a gente vem seguindo o dinheiro. Hoje chegamos nesse ponto, mas ainda há muito a entender sobre a movimentação e a destinação desses recursos”, afirmou o delegado.
Uso de empresas, “laranjas” e criptomoedas
Outro ponto destacado foi o uso de empresas de fachada e intermediários para dificultar o rastreamento.
Segundo a PF, processadoras de pagamento eram utilizadas para fazer circular grandes quantias, enquanto contas de passagem e “laranjas” ajudavam a fragmentar os valores.

Carros apreendidos em operação da PF contra organização criminosa por lavagem de dinheiro e transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão (Foto: Divulgação/PF)
As autoridades também investigam o uso de criptomoedas no esquema. “A gente está estudando os mecanismos de uso de criptomoedas, que ainda é algo complexo, mas vamos avançar nessa frente”, disse Maceiras.
Ligação com o tráfico de drogas
A investigação também identificou conexão com o tráfico de drogas e possíveis vínculos com facções criminosas. “Quando a gente fala em dinheiro que vem do tráfico de drogas, fatalmente vamos chegar a facções criminosas. Parte desse dinheiro foi captado e depois inserido nessa estrutura”, afirmou o delegado.
Balanço da operação
A operação cumpriu 33 dos 39 mandados de prisão e 45 mandados de busca e apreensão. Segundo a PF, cerca de R$ 1,6 bilhão em valores foram alvo de bloqueio judicial.
Além disso, aproximadamente R$ 20 milhões em veículos foram apreendidos apenas nesta fase da operação.
As investigações seguem em andamento, e a Polícia Federal não descarta novas fases.
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