A morte de Maria Bernadete Pacífico, conhecida como Mãe Bernadete, voltou a repercutir após novos episódios de violência no Quilombo Pitanga dos Palmares, localizado em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador. Moradores da comunidade relatam viver sob medo depois que integrantes da facção Bonde do Maluco passaram a pichar casas, prédios públicos e espaços religiosos com ameaças.

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A morte de Maria Bernadete Pacífico, conhecida como Mãe Bernadete, voltou a repercutir após novos episódios de violência no Quilombo Pitanga dos Palmares, localizado em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador. Moradores da comunidade relatam viver sob medo depois que integrantes da facção Bonde do Maluco passaram a pichar casas, prédios públicos e espaços religiosos com ameaças.

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Reprodução | Divulgação / SSP-BA

Os ataques teriam ocorrido após a morte de Marílio dos Santos, apontado pelas investigações como mandante do assassinato da líder quilombola. Considerado um dos principais nomes do crime organizado na Bahia, ele morreu durante uma ação policial na cidade de Catu.

Mensagens exaltando o criminoso foram registradas em diferentes pontos do quilombo. Em uma das pichações, a frase “nunca será esquecido” foi escrita em referência ao suspeito morto.

Comunidade vive clima de medo

Moradores relatam que a rotina na comunidade mudou após a série de ameaças. Muitos evitam sair de casa ou falar com a imprensa por receio de represálias.

A igreja frequentada por Mãe Bernadete também foi alvo de vandalismo, o que aumentou a sensação de insegurança entre os moradores. Segundo relatos de lideranças locais, escolas e serviços básicos passaram a funcionar com cautela, já que pais demonstram receio de enviar os filhos para as aulas.

Polícia reforça segurança na região

Diante da escalada de tensão, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou que reforçou o policiamento no entorno do quilombo.

Em nota, o órgão afirmou que equipes seguem atuando para garantir a segurança dos moradores de Simões Filho e evitar novos episódios de violência. Apesar disso, integrantes da comunidade afirmam que o clima de medo ainda persiste.

Mãe Bernadete. (Reprodução | X / Anielle Franco)

Crime chocou o país

O assassinato de Mãe Bernadete ocorreu em agosto de 2023, dentro do próprio quilombo onde ela vivia. A líder era conhecida pela atuação na defesa dos direitos das comunidades quilombolas e denunciava ameaças constantes.

Recentemente, a Justiça condenou Arielson da Conceição dos Santos, apontado como executor do crime, a 40 anos de prisão. Marílio dos Santos, o “Maquinista”, também havia sido condenado a 29 anos de prisão como mandante, mas morreu antes do cumprimento da pena. Outros três acusados ainda aguardam julgamento.

Quilombo Pitanga dos Palmares. (Reprodução / Arquivo | Ester Cezar / Instituto Socioambiental)

Debate sobre segurança e proteção a lideranças

Especialistas apontam que o caso evidencia a vulnerabilidade de líderes comunitários e defensores de direitos humanos diante da atuação de facções criminosas.

Organizações que atuam na defesa de comunidades tradicionais cobram medidas mais amplas de proteção e maior presença do Estado em áreas vulneráveis. Enquanto isso, moradores do quilombo aguardam ações concretas que permitam a retomada da rotina com segurança.

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