Apesar da aparência pública de união, os apoiadores de Jair Bolsonaro acusam o governador de São Paulo de ingratidão e de não cumprir acordos políticos. No centro da discórdia está a percepção de que Tarcísio possui inclinações de esquerda e que estaria tentando “fritar” a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro para pavimentar seu próprio caminho ao Planalto. A ausência de Tarcísio em eventos estratégicos e sua substituição simbólica por figuras como Pablo Marçal reforçam a tese de que a aliança é meramente performática e está prestes a ruir.
Um clima de descontentamento paira entre os bolsonaristas em São Paulo em relação ao governador Tarcísio de Freitas. Apesar da fachada de apoio mútuo, a relação entre os dois lados sempre foi marcada por desconfiança e mágoa. Nos bastidores, muitos apoiadores de Jair Bolsonaro afirmam que Tarcísio tem sido ingrato, especialmente considerando o suporte que recebeu durante sua campanha ao governo de São Paulo, que acabou vitoriosa.
Embora a grande maioria do eleitorado não perceba, a verdade é que os bolsonaristas nunca se deram bem com o governador. Eles se ressentem por não terem espaço no governo e consideram Tarcísio um “menino de Dilma Rousseff“, que tenta esconder suas inclinações esquerdistas. Para essa ala, a amizade entre Tarcísio e os bolsonaristas é, na verdade, uma “encenação”. Tarcísio precisa fingir que gosta deles para não parecer ingrato, enquanto os bolsonaristas “fingem engolir” sua presença para não perderem a visibilidade política em São Paulo.

As queixas sobre a falta de cumprimento de acordos também são frequentes. Um bolsonarista desabafou: “O que ele diz não se escreve.” No fundo, há a crença de que o verdadeiro desejo de Tarcísio era “fritar Flávio Bolsonaro” e se tornar candidato à presidência. Um membro do grupo, que preferiu permanecer anônimo, revelou que Tarcísio manteve a esperança de ser o candidato da direita até dezembro, mas viu suas chances diminuírem quando Flávio recebeu o apoio de grandes empresários, incluindo um nome famoso do setor de frigorífico.
Tarcísio até tentou demonstrar apoio ao senador Flávio Bolsonaro, mas, segundo os bolsonaristas, isso foi feito apenas sob pressão popular, e a verdadeira intenção parecia ser puramente midiática.
Dois meses após Flávio afirmar que contaria “de corpo e alma” com Tarcísio na corrida presidencial, a proximidade entre os dois tem sido escassa. Um evento que deveria marcar o início da campanha na capital foi adiado, sem previsão de nova data. Inicialmente, a ideia era replicar o sucesso do lançamento da pré-candidatura de Fernando Haddad, mas esses planos foram frustrados por compromissos de Flávio nos Estados Unidos.
Desde então, a única manifestação concreta de Tarcísio em apoio a Flávio ocorreu em um evento na Assembleia Legislativa, onde anunciou que coordenaria a campanha do senador. No entanto, sua ausência em outras iniciativas de aproximação entre Flávio e investidores tem gerado frustração. O empresário Pablo Marçal, que se tornou um aliado de Flávio, tem sido visto ao seu lado em encontros estratégicos, enquanto Tarcísio se mantém à margem, deixando a impressão de que a relação entre os bolsonaristas e o governador é, de fato, mais teatral do que verdadeira.
Os bolsonaristas se sentem traídos e, à medida que o cenário político evolui, a tensão entre os grupos só tende a aumentar, revelando a fragilidade dessa aliança forçada em busca de interesses comuns.
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