O deputado e delegado Carlos Alberto da Cunha deve evitar demissão da Polícia Civil de SP, mesmo após acusações de fraude e ataques a superiores. A tendência é de punição mais leve, como suspensão, enquanto o governo nega interferência política na decisão.

Delegado youtuber deve escapar de demissão e ficar na Polícia Civil

O deputado federal Carlos Alberto da Cunha (União Brasil), conhecido como “delegado youtuber”, deve escapar da demissão da Polícia Civil de São Paulo, apesar de ter sido alvo de dois processos administrativos que recomendaram sua expulsão. A tendência, segundo bastidores do governo estadual, é que ele receba no máximo uma suspensão temporária.

A possível punição mais branda ocorre em meio a articulações políticas envolvendo aliados como o deputado Delegado Olim, o ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite e o governador Tarcísio de Freitas. Em nota, o governo paulista nega qualquer interferência política e afirma que os processos seguiram critérios técnicos, respeitando o contraditório e a ampla defesa.

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Acusações incluem fraude e ataques a superiores

Carlos Alberto da Cunha foi alvo de investigação após a Corregedoria apontar que ele teria simulado a prisão de um suposto líder do PCC, conhecido como “Jagunço do Savoy”, com o objetivo de produzir conteúdo para as redes sociais. O vídeo da ação alcançou milhões de visualizações. Policiais ouvidos classificaram o caso como uma fraude que prejudicou a imagem da corporação.

Em outro episódio, o delegado chamou superiores de “ratos” e “raposas” durante uma entrevista, além de fazer críticas públicas a autoridades. Esses episódios resultaram em recomendações formais de demissão por parte do Conselho da Polícia Civil.

Decisão final cabe ao governador

Nos processos disciplinares contra delegados, a decisão passa por diversas instâncias até chegar ao governador, responsável pela palavra final. Segundo apuração, as recomendações de demissão não foram acatadas. Em um dos casos, a punição teria sido convertida em suspensão, enquanto no outro houve absolvição.

Como os processos são sigilosos, o governo não confirma oficialmente o desfecho, informando apenas que sanções não demissórias não são divulgadas publicamente.

Histórico e outras investigações

Atualmente, Da Cunha está afastado das funções policiais para exercer o mandato parlamentar. Caso não seja reeleito, poderá retornar à Polícia Civil. Nas redes sociais, ele afirma que as acusações fazem parte de “fake news” e evita comentar detalhes dos processos.

Além das investigações administrativas, o deputado também responde a acusações de violência doméstica feitas por ex-companheiras. O caso mais recente, de 2023, segue sob segredo de Justiça.

Apesar das controvérsias, integrantes do governo admitem, nos bastidores, que a decisão de evitar a demissão também considera o impacto político e a repercussão do caso dentro da própria corporação.

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