O Bacci Notícias entrevistou o influenciador Frank, conhecido nas redes sociais por afirmar ser ex-integrante da facção criminosa PCC. Em declaração recente, ele levantou suspeitas sobre o assalto ocorrido na casa do funkeiro MC Poze do Rodo, sugerindo que o episódio poderia ter sido simulado para proteger bens diante de possíveis apreensões judiciais.

Carro da Polícia Federal (PF)  (Reprodução/Polícia Federal/Divulgação)
Carro da Polícia Federal (PF)  (Reprodução/Polícia Federal/Divulgação)

O Bacci Notícias entrevistou o influenciador Frank, conhecido nas redes sociais por afirmar ser ex-integrante da facção criminosa PCC. Em declaração recente, ele levantou suspeitas sobre o assalto ocorrido na casa do funkeiro MC Poze do Rodo, sugerindo que o episódio poderia ter sido simulado para proteger bens diante de possíveis apreensões judiciais.

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Polícia Federal (Reprodução/Agência Brasil)

Segundo Frank, organizações criminosas costumam ter acesso antecipado a operações policiais, o que permitiria esconder patrimônios antes de ações das autoridades. Ele afirmou que recebeu informações de integrantes do Comando Vermelho e que, dentro desse contexto, o crime na residência do artista levantaria dúvidas.

Frank detalhou ainda esquemas que envolvem influenciadores e lavagem de dinheiro, bem como falou sobre a atuação de grupos criminosos em outros estados e até mesmo países.

Suspeita de falso assalto a MC Poze

Segundo o ex-integrante do grupo criminoso, Poze do Rodo já sabia que era um dos alvos da operação ‘Narco Bet’, devido à suposta atuação de policiais corruptos dentro da corporação, e por isso pode ter forjado um roubo.

“Quando vai ter uma invasão assim como na casa do Poze, os próprios policiais corruptos avisam com antecedência. O crime organizado sabe com antecedência. E se o cara deve, ele já esconde o que ele tem para esconder. Nesse caso específico, eu tive informações dos próprios integrantes. Muitas pessoas perguntam como eu consigo as informações, mas o crime é sujo, um entrega o outro”, detalhou.

MC Poze do Rodo

MC Poze do Rodo – Reprodução: Redes Sociais

Esquema envolvendo influenciadores

De acordo com Frank, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) possui uma estrutura organizada para “agenciar” os influenciadores em um esquema de lavagem de dinheiro.

“Quando o PCC vê potencial, como no caso do MC Hariel. É algo que ninguém fala, todo mundo tem medo de falar dele, porque é um cara que é um bom artista. Mas é assim, o PCC tem os “olheiros”. Ele vê que o cara tem potencial. Hariel tinha potencial. O primeiro empresário dele era integrante do PCC”, revela Frank, que afirma ainda que Hariel pagou para deixar o esquema.

“Então, aí começa assim. ‘Vamos investir o dinheiro em você. Você vai ganhar tanto, vai limpar tanto.’ Então, é um convite. Estamos falando do PCC, não Comando Vermelho”, detalha.

Segundo Frank, a facção não obriga influenciadores a se unirem ao esquema, mas fazem propostas tentadoras para o aliciamento dos famosos.

“Eu não poderia especificar exatamente como funciona. Mas o PCC em específico, não obriga ninguém a nada. Assim, para trabalhar com eles, eles não obrigam. Eles fazem um convite, uma proposta que enche os olhos. O caso do MC Brisola também. E tudo isso, com o tempo, vocês vão ver que vai cair. A Polícia Federal, vai chegar a essas conclusões aí”, declara Frank.

Internet como fonte de dinheiro

“Antes desse negócio de influência, existia dentro do PCC um setor chamado ‘RF’, que era o setor da rifa, que vendia rifas que nem os influencers vendem hoje. O PCC colocou os influencers, foi uma ideia original, porque antes, era só pros integrantes”, pontua.

“Então, vamos supor que na época tinha 25 mil integrantes, era só esses que iam comprar essa rifa. Hoje, a internet é uma das maiores fontes de dinheiro do crime organizado. Tanto para lavagem de dinheiro, quanto para captação, por causa dos golpes, vem pela internet, organizações criminosas especializadas nisso. Um dos administradores era o próprio Buzeira e o [Rodrigo] Morgado. Eu falei isso daí, um ano e meio atrás. Tá aí as minhas entrevistas, tudo o que eu falei bateu certo”, relembra Frank.

Segundo ele, a internet funciona para monetizar as visualizações de vídeos e o engajamento dos influenciadores ligados ao grupo, em um esquema de lavagem organizado pela facção.

“Hoje a internet é uma mina de ouro pro crime organizado. Você coloca um vídeo do Buzeira aí. Quantas visualizações vão dar? Quanto que gera de receita no YouTube, Instagram e em todas as outras plataformas? E esse dinheiro vem de forma limpa. Então, se eles investem dinheiro no criminoso, o dinheiro vem de forma limpa pro artista”, pontua.

“Corro riscos todos os dias”

Frank comentou ainda as dificuldades após deixar a facção criminosa. Segundo ele, está morando fora do país por motivos de segurança, já que tem revelado as relações do crime organizado.

“Eu risco todos os dias. Eu fico correndo pra lá e pra cá e o risco de vida é grande. Já invadiram minha casa, tentaram me pegar na Argentina, em La Plata. Eu corro risco em outros países também, porque o PCC atua nos 26 estados e no Distrito Federal. E em todos os países da América Latina tem pelo menos um integrante do PCC”, detalha.

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