Durante a leitura da sentença que condenou mãe e filho pelo assassinato de um estudante na porta de uma escola em Anápolis, o juiz Fernando Augusto Chacha fez um pronunciamento que chamou atenção pelo tom reflexivo. Ao se dirigir aos réus, o magistrado destacou que o crime poderia ter sido evitado com um simples momento de reflexão antes da ação, ressaltando as consequências irreversíveis de decisões tomadas por impulso.
Durante a leitura da sentença que condenou mãe e filho pelo assassinato de um estudante na porta de uma escola em Anápolis, o juiz Fernando Augusto Chacha fez uma declaração direcionada aos réus, convidando-os a refletir sobre a gravidade do crime e as consequências de seus atos.

Nicollas Lima Serafim tinha 14 anos em Anápolis (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)
Os condenados, Maria Renata de Merces Rodrigues e Kaio Rodrigues Matos, receberam penas que, somadas, chegam a quase 70 anos de prisão.
Ao se pronunciar, o magistrado destacou que o desfecho poderia ter sido evitado caso houvesse um momento de reflexão antes da ação, ressaltando que a decisão tomada de forma impulsiva resultou em consequências irreversíveis.
“Se vocês tivessem pensado dez segundos a mais, ninguém estaria aqui hoje. Estariam todos vocês felizes, em casa. A vítima, réus…”, disse Chacha.
Defesa se pronuncia
O adolescente Nicollas Serafim, de 14 anos, foi morto em 20 de fevereiro de 2024 durante uma confusão generalizada que, de acordo com a investigação, teria começado após desentendimentos relacionados a um jogo online. Na ocasião, outros dois jovens também ficaram feridos.
A defesa de Maria Renata, conduzida pelos advogados Saulo Silva e Hélio Aquino, afirmou que reconhece a regularidade do julgamento sob o aspecto processual, mas discorda da decisão tomada pelos jurados. Segundo os representantes, há pontos na definição da pena que precisam ser revistos, motivo pelo qual será apresentado recurso.
Já os advogados de Kaio Rodrigues, representado por Victor José, sustentam que fatores importantes não teriam sido devidamente considerados na fixação da condenação, principalmente no que diz respeito ao cálculo da pena. A defesa também informou que pretende recorrer da decisão.
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Penas somam quase 70 anos
O julgamento de Maria Renata e Kaio se estendeu por aproximadamente 12 horas e foi conduzido pela 4ª Vara Criminal de Anápolis. Na decisão, o juiz levou em consideração circunstâncias agravantes, como o perigo gerado a outras pessoas e a idade das vítimas, fatores que influenciaram diretamente na definição das penas. Também foi determinado que ambos não poderão recorrer em liberdade.
Mãe e filho foram considerados culpados por homicídio qualificado e por duas tentativas de homicídio. Além disso, havia a acusação de corrupção de menores. Maria Renata foi condenada por esse crime, enquanto Kaio foi absolvido dessa imputação.
As penas fixadas foram de 40 anos de prisão para Maria Renata de Merces Rodrigues e de 29 anos e 7 meses para Kaio Rodrigues Matos, ambas em regime fechado. A sentença também estabelece o pagamento de indenizações às vítimas, a família do adolescente morto deverá receber R$ 150 mil, enquanto cada um dos sobreviventes terá direito a R$ 75 mil como reparação pelos danos sofridos.
Relembre o caso
O crime ocorreu na porta do Colégio Estadual Leiny Lopes de Souza, no Parque Calixtópolis, por volta das 12h15 de uma terça-feira. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que um grupo de estudantes conversava quando Maria Renata se aproxima acompanhada de Kaio e de outro filho, portando um martelo.
Inicialmente, ela se dirige aos jovens em tom de cobrança, como se estivesse questionando uma situação anterior. Pouco depois, a conversa evolui para uma confusão generalizada, envolvendo Kaio, o irmão e outros adolescentes.
Durante o confronto, Maria Renata também participa das agressões e, em determinados momentos, chega a intimidar os estudantes com o objeto que carregava. Ao todo, três jovens foram atingidos, entre eles Nicollas.
Ao ser encaminhado à delegacia, o adolescente afirmou que agiu com a intenção de proteger o irmão mais novo, alegando que ele vinha sendo ameaçado por colegas da escola nos dias anteriores.
“Eles vieram tudo pra cima da minha mãe e do meu irmão. Bateram na minha mãe, bateram no meu irmão, veio para cima de mim e eu puxei a faca. Eu tinha que me defender, defender minha família”, disse.
Delegado aponta origem da briga
O delegado Wllisses Valentim, responsável pela investigação à época, explicou que a confusão teve origem em um desentendimento ocorrido no dia anterior, durante uma transmissão ao vivo de um jogo online em que os adolescentes participavam.
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