O frei Gilson voltou ao centro de uma grande polêmica após declarações sobre mulheres, aborto, racismo e relações homoafetivas repercutirem nas redes sociais. O religioso, que possui milhões de seguidores, foi criticado por políticos, jornalistas e internautas após defender a liderança masculina dentro da família e fazer comentários considerados conservadores sobre temas sociais
Um ex-seminarista formalizou uma denúncia no Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra o Frei Gilson. A representação questiona falas atribuídas ao sacerdote que, segundo o denunciante, teriam conteúdo preconceituoso contra pessoas LGBT+ e também contra mulheres.

Frei Gilson (Foto: Reprodução)
De acordo com o relato apresentado ao órgão, as declarações teriam sido feitas em pregações, entrevistas e publicações nas redes sociais do religioso. O autor da denúncia afirma que os posicionamentos reforçam discursos considerados discriminatórios e incompatíveis com o respeito à diversidade.
Declarações de Frei Gilson sobre mulheres
No vídeo que circula nas redes sociais, Frei Gilson defende que a liderança familiar deve ser exercida pelo homem, afirmando que essa posição teria sido determinada por Deus. Durante a fala, o religioso também sugere que a busca feminina por maior independência estaria ligada a uma tentativa de assumir poder dentro da relação familiar.
“Deus deu ao homem a liderança” e que “o homem é o chefe do lar”, acrescentando que a mulher teria “desejo de poder” ao buscar mais autonomia. Em outro momento, diz que “a guerra dos sexos é ideologia pura” e chega a classificá-la como “diabólica”, disse.
Além de figuras públicas, diversos internautas também passaram a comentar as declarações de Frei Gilson nas redes sociais. No YouTube, uma usuária criticou duramente as falas do religioso, classificando o discurso como ultrapassado e prejudicial para as mulheres.
No comentário, ela afirmou considerar preocupante que um líder com grande alcance defenda a ideia de que a mulher deve ocupar uma posição de submissão ou dependência em relação ao homem.
A internauta também criticou a associação entre independência feminina e conceitos negativos, argumentando que o direito das mulheres à autonomia, ao estudo e à independência financeira não deveria ser tratado como algo condenável.

Repercussão nas redes sociais (Reprodução/Redes Sociais)
Segundo a usuária, discursos desse tipo acabam reforçando desigualdades históricas e contribuindo para a manutenção de estruturas consideradas opressivas. Ela ainda afirmou que a fé não deveria ser utilizada para limitar escolhas femininas ou desencorajar mulheres a buscarem liberdade profissional e pessoal.
As declarações repercutiram entre usuários da plataforma e ampliaram o debate nas redes sociais sobre religião, igualdade de gênero e o papel da mulher na sociedade contemporânea.
Entenda a polêmica
O jornalista e escritor Brendo Silva protocolou uma representação no Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra o Frei Gilson da Silva Pupo Azevedo. Na denúncia, o ex-noviço acusa o sacerdote de ter feito declarações consideradas discriminatórias contra pessoas LGBT+ e mulheres em pregações, entrevistas e conteúdos publicados nas redes sociais.
Segundo Brendo, algumas falas atribuídas ao religioso utilizam expressões consideradas ultrapassadas ao abordar a homossexualidade, além de relacionar o tema a conceitos negativos ligados à doutrina religiosa. O denunciante afirma que os posicionamentos reforçam preconceitos e contribuem para discursos de exclusão.
A representação também cita declarações em que Frei Gilson comenta sobre relações entre pessoas do mesmo sexo e interpretações religiosas sobre o tema. Outro ponto mencionado envolve vídeos em que o sacerdote fala sobre o papel feminino dentro da família, defendendo uma posição de apoio da mulher em relação ao homem.
Para Brendo Silva, o conjunto das falas demonstra uma visão considerada conservadora e discriminatória. O caso deverá ser analisado pelo Ministério Público, responsável por avaliar se haverá abertura de investigação ou outras medidas cabíveis.
Leia mais no Bacci Notícias

