A Unilever denunciou à Anvisa e à Senacon uma suposta contaminação microbiológica em produtos da Ypê meses antes do recall determinado pela agência reguladora. Segundo documentos revelados pela Folha e confirmados pelo g1, análises laboratoriais identificaram bactérias em lotes de detergentes e lava-roupas fabricados pela Química Amparo. Após as denúncias, a Anvisa suspendeu a fabricação de produtos líquidos da empresa.
A Unilever, dona de marcas como Omo, Comfort e Cif, denunciou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) uma suposta contaminação microbiológica em produtos da Ypê meses antes da suspensão determinada pela agência reguladora contra itens líquidos fabricados pela Química Amparo.

Caso Ypê: entenda o que levou a Anvisa a não recomendar o uso dos produtos (Foto: Reprodução/Ypê)
A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo após acesso aos documentos enviados pela multinacional às autoridades.
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Em uma das denúncias, protocolada em outubro de 2025, a Unilever afirmou ter identificado a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa/paraaeruginosa em quatro lotes de produtos Tixan Ypê Express após análises internas e testes realizados pelo laboratório Charles River, descrito no documento como detentor de “um dos maiores bancos de dados genéticos do mundo”.
Produtos teriam apresentado “desvio microbiológico relevante”
Segundo os documentos, os lotes analisados pertenciam às versões “Cuida das roupas” e “Combate mau odor”, todas com validade até junho de 2027. A multinacional afirmou que os produtos apresentavam “desvio microbiológico relevante” e citou “iminente risco à saúde e segurança dos consumidores”.
O g1 informou que procurou a Anvisa e a Química Amparo, mas não recebeu resposta até a última atualização da reportagem.
Em nota, a Unilever afirmou que “realiza rotineiramente testes técnicos em seus produtos e eventualmente nas demais marcas do mercado. Esta é uma prática comum entre as indústrias do setor. A depender dos resultados destes testes, em respeito ao consumidor, as autoridades competentes são notificadas”.
Denúncia cita “identificação genética perfeita” da bactéria
Nos documentos enviados às autoridades, a multinacional sustenta que houve “identificação genética perfeita” da bactéria nos quatro lotes analisados. Segundo a denúncia, não existia “distanciamento genético” entre o DNA encontrado nas amostras e o da bactéria presente na base de referência utilizada pelo laboratório.
A empresa também afirmou ter tomado conhecimento de um suposto “recolhimento silencioso” de produtos Tixan Ypê Express no mercado, o que teria motivado o aprofundamento das análises laboratoriais.
Meses depois, em março de 2026, a Unilever apresentou uma nova denúncia alegando que outros 14 lotes de produtos da linha Ypê também teriam apresentado contaminação microbiológica em testes conduzidos pelo laboratório Eurofins.
Novos lotes incluiriam detergentes e lava-louças
Segundo os documentos, os novos lotes incluíam versões Tixan Ypê Primavera, Tixan Ypê Maciez, Tixan Ypê Express, Ypê Power Act e até um lote do detergente Ypê Lava-Louças Neutro.
A denúncia afirma que todos os lotes apresentaram presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, mesma substância citada nas análises anteriores e nos produtos que posteriormente foram alvo de recall determinado pela Anvisa.
O documento também cita que, em sete dos 14 lotes analisados, teriam sido encontrados traços genéticos de outras bactérias, incluindo Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii e diferentes espécies do gênero Pseudomonas. Segundo a Unilever, muitos desses microrganismos também poderiam representar risco à saúde humana.
Anvisa suspendeu fabricação de produtos líquidos
Após as denúncias, a Anvisa realizou inspeções na fábrica da Química Amparo, localizada em Amparo, no interior de São Paulo, e determinou neste mês a interrupção da fabricação e comercialização de produtos líquidos produzidos no complexo industrial, incluindo detergentes, lava-roupas e desinfetantes.
A multinacional também pediu às autoridades a ampliação do recall e a abertura de um processo administrativo para investigar a conduta da Química Amparo.
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