A influenciadora Deolane Bezerra voltou ao centro das investigações após ser presa em uma operação que apura suposta lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Antes da prisão, Deolane teria feito uma promessa de fé, afirmando que entregaria sua situação “nas mãos de Deus” e confiava que a verdade apareceria. A ação policial foi motivada por investigações sobre movimentações financeiras suspeitas e possíveis conexões com integrantes da facção criminosa.

Deolane Bezerra (Reprodução/Redes Sociais)
Deolane Bezerra (Reprodução/Redes Sociais)

Horas antes de ser presa em uma operação policial, Deolane Bezerra compartilhou com os seguidores alguns momentos de sua rotina após retornar de viagem à Europa. A influenciadora estava em Roma, na Itália, acompanhada da irmã, da filha e da sobrinha, e mostrou detalhes da chegada em casa depois de passar longas horas no avião.

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Nas redes sociais, Deolane apareceu descontraída ao comentar que prefere não avisar antecipadamente quando está viajando, afirmando que evita expor seus deslocamentos por conta da energia negativa de algumas pessoas. Ao longo do dia, ela também exibiu presentes que recebeu, momentos em família e aproveitou para divulgar produtos de sua marca.

Já durante a noite, a advogada comentou que havia passado o dia afastada das redes, mas prometeu aos seguidores que estaria mais presente e ativa no dia seguinte. No entanto, poucas horas depois da publicação, ela acabou sendo detida no início da manhã, fato que rapidamente repercutiu nas redes sociais e gerou grande comoção entre fãs e internautas.

Vídeo de Deolane falando da promessa:

Daniele Bezerra se manifesta

Após a prisão de Deolane Bezerra em uma operação que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, a irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, usou as redes sociais para sair em defesa dela.

Advogada, Daniele criticou a forma como o caso vem sendo tratado publicamente e afirmou que é preocupante ver pessoas sendo julgadas antes mesmo da apresentação de provas concretas.

“Acusar é fácil. Difícil é provar. No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expõe, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública… para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi dito. E isso é grave. Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social”, disse.

Irmã de Deolane Bezerra quebra silêncio após prisão e aponta ‘perseguição’ (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Daniele também afirmou que a exposição midiática acaba destruindo reputações antes que os fatos sejam devidamente esclarecidos pelas autoridades. A irmã de Deolane ainda destacou que a Justiça não deve ser usada como instrumento de pressão ou espetáculo, reforçando que toda pessoa tem direito à ampla defesa e ao devido processo legal.

Segundo ela, quem acompanha a trajetória da influenciadora conhece sua história e sabe diferenciar fatos reais de interpretações criadas para alimentar ataques e polêmicas.

Operação policial mira influenciadora

A prisão da influenciadora ocorreu na manhã desta quinta-feira (21), operação policial, que também mira outros investigados e inclui até um mandado de prisão contra Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como liderança da facção criminosa e que já se encontra detido.

Além dele, familiares ligados ao suspeito também passaram a ser alvo das autoridades no curso da investigação. As apurações tiveram início a partir de um material apreendido em 2019 dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, onde agentes encontraram bilhetes e anotações produzidos por detentos.

Os documentos indicavam a forma de organização interna do grupo criminoso, a atuação de lideranças presas e possíveis articulações relacionadas a ações contra agentes do Estado.

Com base nesse conteúdo, a Polícia Civil abriu três inquéritos que, ao longo do tempo, ampliaram o alcance da investigação sobre a estrutura da organização. Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão em diferentes endereços ligados à influenciadora.

Nos últimos dias, ela havia estado em Roma, na Itália, e chegou a ter o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol antes de retornar ao Brasil na quarta-feira (20). A operação também cumpriu mandados em imóveis atribuídos a ela e a outros investigados.

Inquérito aponta possível atuação interna

O primeiro inquérito da investigação apontou para possíveis conexões internas da facção criminosa, incluindo a menção a uma figura descrita como “mulher da transportadora”, que seria responsável por levantar informações e endereços de agentes públicos.

Com o avanço das apurações, os investigadores chegaram a uma empresa localizada em Presidente Venceslau, que posteriormente passou a ser investigada como possível instrumento utilizado para movimentações financeiras ligadas ao crime organizado.

A partir disso, foi deflagrada a Operação Lado a Lado, que identificou indícios de movimentações incompatíveis com a atividade declarada e crescimento patrimonial sem justificativa econômica aparente.

Veja o momento que Deolane chega a delegacia:

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Apreensão de celular marca avanço na Operação Lado a Lado

Durante a fase ostensiva da Operação Lado a Lado, a apreensão de um aparelho celular foi um dos elementos que ampliou o rumo das investigações.

No dispositivo, foram encontradas conversas que envolveriam membros da alta hierarquia da facção criminosa, além de sinais de movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis ligações com uma influenciadora digital de grande alcance no país.

Com base nesse material, os investigadores deram início à Operação Vérnix, que passou a aprofundar a apuração sobre um suposto esquema mais amplo de lavagem de dinheiro. O foco da nova etapa incluiu a análise de empresas, patrimônio acumulado e transações financeiras de alto valor.

Segundo a investigação, foram encontrados indícios de incompatibilidade entre a renda declarada e o patrimônio identificado, além do uso de pessoas jurídicas como meio para circular valores e realizar operações sem justificativa econômica clara.

Nesse contexto, Deolane Bezerra passou a ser investigada por suposta participação em um sistema de movimentação de recursos milionários, que envolveria aquisição de bens de alto padrão e a utilização de estruturas empresariais para possível ocultação da origem dos valores.

Justiça autoriza medidas

Com base no conjunto de provas reunidas ao longo da investigação, a Polícia Civil, com parecer favorável do Ministério Público, conseguiu junto ao Judiciário a decretação de medidas cautelares de grande alcance. Entre elas, estão seis prisões preventivas autorizadas pela Justiça.

Além disso, foi determinado o bloqueio de valores que ultrapassam R$ 327 milhões, bem como o sequestro de 17 veículos, incluindo automóveis de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões. A decisão também prevê a apreensão e restrição de quatro imóveis vinculados aos investigados.

As autoridades ainda identificaram três suspeitos que estariam fora do país, localizados na Itália, Espanha e Bolívia. Diante disso, foi solicitada a inclusão dos nomes na lista vermelha da Interpol, por meio de difusão internacional, com o objetivo de viabilizar a localização e possível prisão.

Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, o principal objetivo da operação é atingir a estrutura financeira da organização criminosa, por meio da identificação, bloqueio e apreensão de bens e recursos que teriam origem ilícita.

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