O Tribunal de Justiça de São Paulo deve julgar nesta sexta-feira (22), às 9h, o pedido de habeas corpus da advogada Deolane Bezerra. Ela foi presa preventivamente na Operação Vérnix, sob a acusação de atuar como operadora financeira para o PCC. A investigação aponta indícios de lavagem de dinheiro por meio de depósitos fracionados (smurfing) e dissimulação de ativos. A Justiça determinou o bloqueio de milhões em bens.
A Justiça deve julgar na manhã desta sexta-feira (22), o pedido de habeas corpus da defesa da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra. A ré foi presa preventivamente na quinta-feira (21) em sua residência, em um condomínio de alto padrão em Alphaville, Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo.
A prisão ocorreu no âmbito da Operação Vérnix, uma ação conjunta entre o Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo que investiga uma rede de lavagem de capitais associada à cúpula da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
A investigação aponta indícios de lavagem de dinheiro por meio de depósitos fracionados (smurfing) e dissimulação de ativos. A expectativa é que o habeas corpus de Deolane seja julgado por volta de 9h desta sexta. Além da prisão, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em bens.

Deolane Bezerra (Reprodução/Redes Sociais)
Investigação aponta atuação como “caixa” de facção
De acordo com o inquérito conduzido pela Polícia Civil, Deolane Bezerra é suspeita de atuar como operador financeiro informal, descrita pelas autoridades como “caixa do crime organizado”. O relatório de inteligência financeira aponta que contas bancárias de Pessoa Física (PF) e Pessoa Jurídica (PJ) vinculadas à influenciadora recebiam depósitos em espécie de origem ilícita.
Os valores eram misturados aos recursos provenientes de suas atividades empresariais legítimas, etapa do processo de lavagem de dinheiro conhecida como dissimulação e, posteriormente, retransmitidos à organização criminosa.
Bloqueio de R$ 27 milhões e indícios de “smurfing”
A quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados identificou que, entre os anos de 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505,00 em sua conta corrente por meio de depósitos fracionados em valores inferiores a R$ 10 mil.
Segundo a Polícia Civil, a técnica, conhecida no meio financeiro como smurfing, é utilizada para evitar que as transações disparem alertas automáticos nos sistemas de controle do Coaf. A fiscalização também detectou 50 depósitos que somam R$ 716 mil realizados por uma empresa de crédito fictícia. Diante dos fatos, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em ativos da ré e a apreensão de veículos de luxo.
Confira o momento da prisão de Deolane:
Operação também mirou chefia do PCC e familiares
Além do mandado cumprido contra a influenciadora, que havia retornado na quarta-feira (20) de uma viagem a Roma, na Itália, a Operação Vérnix expediu ordens de prisão contra Marcos Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, apontado como o líder máximo da organização, e contra parentes dele, incluindo sua sobrinha, Paloma Sanches Herbas Camacho, localizada em Madri, na Espanha.
Em nota oficial, a defesa técnica de Deolane Bezerra, representada pelo advogado Luiz Imparato, reiterou a inocência de sua cliente e afirmou que todas as transações financeiras serão devidamente esclarecidas e justificadas perante o tribunal.
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