Dois irmãos franceses, de 4 e 5 anos, foram encontrados sozinhos às margens de uma estrada em Portugal após desaparecerem e deixarem de frequentar a escola. Segundo as investigações, a mãe e o padrasto teriam abandonado as crianças no local e acabaram presos dias depois. Os meninos foram encaminhados ao hospital, acolhidos por uma família temporária e aguardam o processo de retorno à França, enquanto as autoridades apuram suspeitas de maus-tratos e abandono.
Dois irmãos franceses, de apenas 4 e 5 anos, foram encontrados desacompanhados às margens de uma estrada na região de Santiago do Cacém, em Portugal, na última terça-feira (19).
As crianças foram vistas por um motorista que trafegava pela rodovia nacional 253, via que conecta Alcácer do Sal ao balneário de Comporta, localizado a cerca de 100 quilômetros da capital Lisboa.

Marine Rousseau, mãe das crianças presa (Foto: Reprodução)
De acordo com informações divulgadas pela imprensa portuguesa, os meninos estariam sozinhos após terem sido deixados no local pela mãe e pelo companheiro dela. Com eles, havia mochilas contendo água, frutas, biscoitos e peças de roupa, mas nenhum documento de identificação foi encontrado.
Ainda segundo os relatos iniciais da investigação, os adultos teriam colocado vendas nos olhos das crianças sob o pretexto de uma brincadeira antes de deixarem o local em um carro. O caso gerou grande repercussão e passou a ser acompanhado pelas autoridades portuguesas.
Autoridades emitiram alerta de desaparecimento
De acordo com as autoridades portuguesas, os dois irmãos haviam parado de comparecer às aulas nos últimos dias, situação que levou os serviços sociais do município a emitirem um alerta de desaparecimento considerado de alto risco. O aviso foi reforçado novamente na segunda-feira (18), diante da falta de informações sobre o paradeiro das crianças.
A mãe dos meninos acabou detida na quinta-feira (21), na cidade de Fátima, localizada na região central de Portugal. O companheiro dela, identificado como padrasto das crianças, também foi preso pelas autoridades. Segundo informações divulgadas pela emissora EuroNews, o homem possui antecedentes relacionados a casos de violência doméstica.
Os suspeitos foram identificados como Marine Rousseau, de 41 anos, e Marc Ballabriga, de 55 anos. Os dois passaram a ser investigados por suspeitas de abandono, maus-tratos e exposição das crianças a situações de perigo, conforme informou a Gendarmaria Nacional francesa. O caso segue sob apuração e mobiliza autoridades de Portugal e da França.
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Crianças resgatadas passaram por atendimento médico
Depois de serem resgatados, os dois irmãos passaram por atendimento médico e permaneceram em observação hospitalar para avaliação do estado de saúde. Nesta sexta-feira (22), a Justiça de Setúbal informou que as crianças foram encaminhadas provisoriamente para uma família acolhedora, onde permanecerão até que seja definido o processo de retorno à França.
Em nota, o tribunal explicou que caberá às autoridades judiciais francesas conduzir os trâmites necessários para a repatriação dos meninos, utilizando os mecanismos de cooperação internacional entre os dois países.
A instância judicial também revelou que as crianças viviam na França com a mãe e que os pais são separados. Segundo as informações reunidas pela investigação, o pai biológico possui apenas direito de visitas supervisionadas e restritas. O caso segue sendo acompanhado pelas autoridades portuguesas e francesas.
Pai biológico viaja para Portugal
O pai biológico das crianças já está a caminho de Portugal, porém a possibilidade de os irmãos serem entregues aos seus cuidados ainda depende de análises realizadas pelas autoridades francesas. A situação será avaliada dentro dos procedimentos de proteção infantil adotados entre os dois países.
Segundo Carlos Bastos Leitão, superintendente-chefe da Polícia de Segurança Pública (PSP), os menores só poderão ficar com o pai caso haja garantias de que ele possui condições adequadas para assumir a responsabilidade pelas crianças. As autoridades francesas deverão verificar a situação familiar antes de qualquer decisão definitiva.
Ainda de acordo com o responsável pela PSP, existe a possibilidade de os irmãos retornarem à França sob tutela do Estado caso o pai não seja considerado apto para recebê-los. O caso segue sendo acompanhado por órgãos de proteção à infância e pela Justiça portuguesa.
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