Veterinários de Portugal divulgaram alerta reforçando que não podem atender humanos após o crescimento dos “therians”, jovens que afirmam se identificar psicologicamente como animais. A Ordem dos Médicos Veterinários orientou profissionais a explicarem os limites legais da profissão e encaminharem essas pessoas para atendimento médico adequado.
Veterinários de Portugal passaram a divulgar alertas públicos reforçando que não estão autorizados a realizar diagnósticos, tratamentos ou qualquer procedimento clínico em seres humanos. O posicionamento surgiu após o aumento da popularidade dos chamados “therians” nas redes sociais.

O grupo reúne jovens que afirmam se identificar psicologicamente como animais e acreditam que sua identidade interior não corresponde à espécie humana biologicamente.
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O receio da classe veterinária aumentou depois que reportagens internacionais apontaram que alguns therians estariam procurando clínicas veterinárias para atendimento. Embora Portugal ainda não tenha registrado casos semelhantes, a Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) decidiu se antecipar ao fenômeno.
Ordem dos Veterinários faz alerta
Segundo a OMV, caso uma pessoa procure atendimento veterinário se comportando como um animal, os profissionais devem agir com respeito, mas esclarecer os limites da profissão.
“A pessoa que se identifica como animal continua, para o Direito, a ser uma pessoa humana”, afirmou a entidade em comunicado divulgado pelo jornal português Correio da Manhã.
A orientação é para que veterinários expliquem que não podem atender humanos e encaminhem essas pessoas para acompanhamento médico adequado.
O que são os “therians”?
Os chamados therians, ou teriantropos, não são um fenômeno recente. O movimento ganhou força nos anos 1990 em fóruns da internet ligados à cultura geek e à ficção.
Inicialmente, muitos integrantes utilizavam o termo “otherkin”, usado por pessoas que se identificavam como seres não humanos, incluindo criaturas mitológicas, como dragões e elfos.
Com o tempo, surgiu o subgrupo “therian”, formado especificamente por pessoas que afirmam ter conexão identitária com animais reais, como lobos, gatos, aves e raposas.
A palavra “therian” deriva de “therianthrope”, termo de origem grega que significa “meio-humano, meio-animal”.
TikTok ampliou visibilidade do movimento
Nos últimos anos, especialmente após 2020, o TikTok impulsionou a popularidade do grupo.
Vídeos de jovens usando máscaras, caudas e acessórios de animais, além de imitarem movimentos e formas de locomoção de bichos, passaram a viralizar na plataforma.
O aumento da exposição também gerou críticas e debates nas redes sociais. Em fevereiro deste ano, um encontro de therians que seria realizado em Portugal acabou cancelado após repercussão negativa pública.
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