Durante depoimento no Tribunal do Júri, Leniel Borel afirmou acreditar que a morte de seu filho, Henry Borel, de 4 anos, foi premeditada. O pai da criança relatou comportamentos que considerou suspeitos por parte de Monique Medeiros e relembrou os momentos que antecederam a morte do menino.
O julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros ganhou novos desdobramentos nesta sexta-feira (29) com o depoimento de Leniel Borel, pai de Henry Borel. Em sua fala aos jurados, Leniel afirmou acreditar que a morte do menino de 4 anos pode ter sido premeditada e relembrou episódios que, segundo ele, passaram a fazer sentido após o avanço das investigações.

Foto: arquivo pessoal
Henry morreu em março de 2021, e Jairinho e Monique respondem por acusações relacionadas ao caso. Durante o depoimento, Leniel narrou momentos vividos com o filho pouco antes da tragédia e destacou atitudes que considerou incomuns.
Comportamento de Henry chamou atenção
Segundo o pai, uma das situações que mais o marcaram aconteceu quando ele devolveu o filho à mãe após um período de convivência. Na ocasião, Henry teria demonstrado forte resistência em retornar para casa.
De acordo com Leniel, o menino não queria sair de seu colo e chegou a apresentar ânsia de vômito. O pai relatou ainda que a criança pediu para ir para a casa da avó em vez de retornar ao apartamento onde vivia com a mãe.
Ainda segundo o depoimento, Henry só aceitou se despedir depois que Monique teria afirmado que procuraria uma nova residência. Para Leniel, esse episódio passou a ter um significado diferente após a análise dos fatos revelados durante a investigação.
Suspeita de premeditação
Ao responder aos questionamentos no tribunal, Leniel afirmou que sua percepção sobre o caso mudou ao longo dos anos. Segundo ele, informações reunidas pelas autoridades o levaram a acreditar que a morte do filho pode ter sido planejada.
A declaração chamou a atenção da juíza Elizabeth Machado Louro, que interrompeu momentaneamente o depoimento para destacar que essa hipótese não havia sido apresentada anteriormente por ele em outras fases do processo.
Mesmo assim, Leniel manteve sua posição e disse que sua conclusão foi construída a partir dos elementos que surgiram durante a apuração do caso.
O choque ao chegar ao hospital
Outro momento marcante do depoimento foi o relato sobre a madrugada de 8 de março de 2021. Leniel contou que recebeu uma ligação de Monique Medeiros informando que Henry estava em parada cardiorrespiratória no Hospital Barra D’Or, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Segundo ele, Jairinho também entrou em contato e pediu que fosse imediatamente ao hospital. Ao chegar à unidade, o pai afirmou ter encontrado médicos tentando reanimar o menino.
Emocionado, Leniel descreveu o impacto de ver o filho com marcas pelo corpo. Ele afirmou que havia entregue a criança saudável poucas horas antes e que a cena encontrada no hospital foi devastadora.
Contradições e questionamentos
Durante seu depoimento, Leniel também relatou que algumas explicações apresentadas pelo casal naquela madrugada despertaram desconfiança imediata.
Ele afirmou ter estranhado a versão de que Monique teria realizado manobras de reanimação enquanto Jairinho dirigia até o hospital. Segundo o pai de Henry, a situação não parecia lógica, já que Jairinho era médico e teria mais preparo técnico para executar esse tipo de procedimento.
Além disso, Leniel declarou acreditar que Monique tinha conhecimento dos sinais de violência que, segundo a acusação, eram sofridos por Henry antes de sua morte.
Relato de ameaças e intimidações
Na reta final do depoimento, Leniel também falou sobre as dificuldades enfrentadas desde a morte do filho. Ele afirmou que passou a conviver com ameaças, precisou reforçar sua segurança pessoal e alterar sua rotina.
Segundo o pai de Henry, a repercussão nacional do caso e a influência política atribuída à família de Jairinho o levaram a adotar medidas de proteção. Ele relatou ainda que se sentiu alvo de tentativas de intimidação e de ataques pessoais ao longo dos últimos anos.
O julgamento segue no Tribunal do Júri, onde ainda serão analisados os depoimentos, provas e argumentos apresentados pelas partes antes da decisão dos jurados sobre a responsabilidade dos réus no caso que comoveu o país.
