A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta quarta-feira (3), o recolhimento voluntário de um lote da Água Mineral Crystal após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras do produto.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta quarta-feira (3), o recolhimento voluntário de um lote da Água Mineral Crystal após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras do produto.
O mesmo microrganismo foi encontrado recentemente em lotes de produtos de limpeza da marca Ypê, levando à adoção de medidas sanitárias pelas autoridades de saúde.

Anvisa. (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)
A contaminação foi identificada durante uma análise de rotina realizada pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF), após coleta feita pela Diretoria de Vigilância Sanitária do Distrito Federal (Divisa-DF).
O que é a Pseudomonas aeruginosa?
Especialistas explicam que a Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria amplamente encontrada em ambientes úmidos e conhecida pela elevada resistência a diversos antibióticos.
Segundo o infectologista Celso Ferreira Ramos Filho, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro da Academia Nacional de Medicina, o microrganismo costuma agir como uma bactéria oportunista.
“Ela raramente causa doença de forma espontânea em pessoas totalmente saudáveis, mas pode provocar infecções graves quando encontra uma porta de entrada no organismo”, explicou o especialista em entrevista à Agência Brasil.
Em quais situações a bactéria pode ser perigosa?
De acordo com os especialistas, o maior risco ocorre quando a bactéria consegue acessar a corrente sanguínea ou tecidos internos por meio de:
- Cateteres venosos;
- Sondas urinárias;
- Tubos de traqueostomia;
- Feridas abertas;
- Queimaduras;
- Procedimentos hospitalares.
Nessas situações, a infecção pode evoluir para quadros graves de sepse, conhecida popularmente como infecção generalizada.
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“Uma vez na corrente sanguínea, ela pode desencadear uma resposta inflamatória descontrolada que pode levar à falência múltipla de órgãos e até à morte”, alertou Celso Ferreira Ramos Filho.
Pessoas saudáveis também podem ser afetadas?
Sim. Embora os maiores riscos estejam associados a pacientes imunossuprimidos ou portadores de doenças crônicas, algumas cepas da bactéria também podem provocar infecções em pessoas saudáveis.
A patologista Raiane Cardoso Chamon, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), destacou que a Pseudomonas aeruginosa pode causar problemas como a chamada “otite do nadador”, uma infecção no ouvido externo relacionada ao contato com água contaminada.
Além disso, pacientes com doenças respiratórias crônicas, como fibrose cística e enfisema pulmonar, apresentam maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de pneumonias graves causadas pelo microrganismo.
Como ocorreu a contaminação?
Segundo a especialista, uma das hipóteses é que tenha ocorrido uma falha no controle microbiológico durante o processo de fabricação.
“Provavelmente algum reagente ou a própria água utilizada na produção estava contaminada, permitindo a multiplicação da bactéria em ambiente úmido”, afirmou.
A médica também ressaltou que o cenário mais preocupante ocorre quando a bactéria se dissemina em ambientes hospitalares, onde a exposição frequente a antibióticos favorece o surgimento de cepas ainda mais resistentes.
Qual lote da Água Crystal foi recolhido?
A orientação é que os consumidores verifiquem o número do lote das garrafas adquiridas.
O lote afetado é o:
LZ1 VAL 200127
- Data de fabricação: 20/01/2026
- Validade: 20/01/2027
Caso possuam unidades desse lote, os consumidores não devem consumir o produto e devem aguardar as orientações oficiais da empresa sobre os procedimentos de devolução e reembolso.
Recolhimento já está em andamento
De acordo com informações apresentadas pela fabricante à Anvisa, o recolhimento foi iniciado imediatamente junto às distribuidoras.
A empresa informou ainda que cerca de 99,2% das unidades do lote já não estariam mais disponíveis para venda ao consumidor, reduzindo significativamente a circulação do produto no mercado.
As autoridades sanitárias seguem monitorando a operação de recolhimento e a destinação das unidades afetadas.
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