Os Estados Unidos propuseram uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros ao alegar que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A medida ainda passará por consulta pública e integra uma nova ofensiva comercial americana que já inclui a proposta de taxação de 25% sobre produtos brasileiros.
Os Estados Unidos voltaram a mirar o Brasil em uma nova frente comercial. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros e de outras 53 economias sob a alegação de que esses países não adotam medidas eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Lula e Trump na Casa Branca – Foto: Reprodução/PR
A proposta foi divulgada nesta terça-feira (2) e ocorre apenas um dia após o governo americano sugerir uma tarifa de 25% sobre todas as importações brasileiras. Agora, o Brasil aparece em uma nova lista de países que podem ser alvo de uma sobretaxa de 12,5%.
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Segundo o USTR, as nações investigadas falharam tanto na criação de mecanismos legais quanto na fiscalização efetiva para impedir a entrada de produtos fabricados com mão de obra forçada em seus mercados.
Brasil está entre os países mais afetados
De acordo com o documento, o Brasil integra o grupo de países que, na avaliação americana, não conseguiram impor nem aplicar de forma eficiente restrições à importação de mercadorias produzidas por trabalho forçado.
O relatório afirma que, embora o país tenha assumido compromissos internacionais relacionados ao tema em acordos comerciais e de investimento, essas medidas não seriam suficientes para impedir legalmente a entrada desses produtos no mercado brasileiro.
Para o governo dos Estados Unidos, essa situação cria obstáculos ao comércio americano e gera concorrência considerada desleal para trabalhadores e empresas dos EUA.
Nova tarifa proposta pelos EUA é de 12,5%
O USTR propôs dois níveis diferentes de sobretaxas. Países que possuem algum tipo de mecanismo de restrição à importação de produtos associados ao trabalho forçado, mas que ainda enfrentam dificuldades de fiscalização, poderiam receber uma tarifa adicional de 10%.
Já as economias consideradas sem mecanismos eficazes de proibição ou fiscalização estariam sujeitas a uma sobretaxa de 12,5%.
Além do Brasil, aparecem nesse grupo países como China, Argentina, Japão, Reino Unido, Rússia, Índia, Austrália, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Israel, Suíça e África do Sul.
Governo americano endurece discurso
O embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, afirmou que a falta de ações mais rigorosas contra o trabalho forçado prejudica os trabalhadores americanos.
Segundo ele, os Estados Unidos não aceitarão que seus trabalhadores concorram em condições consideradas desiguais com produtos fabricados em países que não combatem adequadamente esse tipo de prática.
Greer reconheceu que alguns parceiros comerciais já adotaram medidas iniciais para enfrentar o problema, mas afirmou que todos os países investigados precisam avançar mais na fiscalização e no bloqueio dessas mercadorias.
Audiência pública será realizada em julho
A proposta ainda não entrou em vigor. Antes de uma decisão definitiva, o governo americano abrirá um período de consulta pública.
As audiências para discutir as medidas estão previstas para ocorrer em 7 de julho. Após essa etapa, os Estados Unidos poderão decidir se transformam a recomendação em uma tarifa efetiva sobre os produtos dos países investigados.
Brasil enfrenta nova pressão comercial
A nova iniciativa amplia a pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil em meio a uma série de disputas comerciais recentes.
Na segunda-feira (1º), o USTR já havia sugerido uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após uma investigação que apontou supostas práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano.
Agora, a proposta relacionada ao trabalho forçado adiciona um novo capítulo às tensões entre os dois países e pode afetar ainda mais as exportações brasileiras caso as medidas avancem.
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