A mulher de 37 anos presa em Joinville (SC) por se passar por uma criança conseguiu, inclusive, ser atendida no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis (SC), em setembro de 2023, enquanto mantinha a falsa identidade.

Foto: Reprodução,
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Conhecida como ‘A Órfã de SC’, a mulher de 37 anos presa em Joinville (SC) por se passar por uma criança conseguiu, inclusive, ser atendida no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis (SC), em setembro de 2023. O caso veio à tona após a Polícia Civil descobrir que ela viveu por cerca de 14 meses com uma família que acreditava estar acolhendo uma menor de idade em situação de vulnerabilidade.

Ao buscar atendimento na unidade de saúde da capital catarinense, a equipe médica suspeitou da paciente, que se apresentou como Caroline da Silva Bastos e disse ter 13 anos. Segundo a diretora-geral do hospital, Maristela Cardozo Biazon, os profissionais consideraram as queixas incomuns e passaram a apurar o histórico da paciente.

“Os médicos acharam as queixas estranhas e também identificaram algumas agulhas pelo corpo. Tinha-se a suspeita de maus-tratos. Foi marcada uma consulta no ambulatório e, no intervalo de uma semana até a consulta, foi investigada a história e descoberto que ela já tinha dado essa mesma queixa e aplicado esse mesmo golpe, se podemos chamar assim, em outros locais”, disse Biazon ao “Jornal do Almoço”, da RBS TV.

Mulher adotava comportamentos infantis e pediu Monjauro de presente

Durante o período em que viveu com uma família em Joinville, a mulher adotava comportamentos considerados infantis e chegou a participar de uma festa organizada para comemorar um suposto aniversário de 12 anos. Os responsáveis também custearam despesas pessoais e tratamentos indicados por ela, que chegou a pedir Monjauro de presente para a família.

De acordo com as investigações, a suspeita utilizava nome falso e afirmava ter fugido do Pará após sofrer maus-tratos. A história sensibilizou integrantes de uma comunidade religiosa, que a ajudaram a encontrar abrigo e, posteriormente, a viver com uma família da região de Pirabeiraba, distrito de Joinville.

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Para sustentar a versão de que era menor de idade, ela alegava ser autista e possuir outras condições de saúde. Também dizia que sua aparência física mais madura seria consequência do uso forçado de hormônios durante a infância. Segundo a polícia, esses relatos foram suficientes para convencer familiares, profissionais de saúde e outras pessoas com quem teve contato.

A fraude começou a ser desvendada após uma parente da família desconfiar da história e alertar os demais familiares. Depois de realizar pesquisas na internet, o pai adotivo descobriu informações que apontavam para possíveis golpes semelhantes praticados pela suspeita em outros estados. O caso então foi comunicado à polícia.

Presa por estelionato e falsa identidade

Amanda Maria Souza de Oliveira foi detida em flagrante, na terça-feira (2). Após confessar a fraude, ela irá responder pelos crimes de estelionato e falsa identidade.

Conforme a Polícia Civil, a mulher possui registros de ocorrências semelhantes em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul. As autoridades investigam se houve outras vítimas e se novos crimes foram cometidos durante o período em que ela permaneceu em Santa Catarina.

Caso é comparado ao filme ‘A Órfã’

O caso chamou atenção pela semelhança com o enredo do filme A Órfã (2009), produção que retrata uma mulher adulta que se passa por uma criança e engana uma família adotiva.

Assim como na ficção, a suspeita teria construído uma identidade infantil ao longo do convívio com a família, adotando comportamentos, falas e rotinas típicas de uma adolescente para sustentar a farsa.

No filme, a personagem utiliza manipulação emocional e estratégias psicológicas para ganhar a confiança da família, cenário que, segundo relatos da investigação, encontra paralelos no caso real, especialmente na forma como a mulher teria mantido o disfarce por cerca de 14 meses.

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