O vereador Leniel Borel, pai de Henry Borel, usou as redes sociais na madrugada desta sexta-feira (5) para fazer um desabafo emocionado após os desdobramentos do julgamento relacionado à morte do filho, ocorrida em 2021.

Leniel e seu filho Henry Borel (Reprodução/Redes Sociais)
Leniel e seu filho Henry Borel (Reprodução/Redes Sociais)

O vereador Leniel Borel, pai de Henry Borel, usou as redes sociais na madrugada desta sexta-feira (5) para fazer um desabafo emocionado após os desdobramentos do julgamento relacionado à morte do filho, ocorrida em 2021.

leniel borel, pai do menino henry borel, morto de forma suspeita dentro de casa

Em um vídeo publicado para seus seguidores, Leniel afirmou que acompanhou cada etapa do processo ao longo dos últimos anos e disse ter recebido a decisão judicial com indignação.

“Hoje foi um dia muito difícil para mim. Há mais de cinco anos eu acompanho cada etapa desse processo. Vi muitos laudos, ouvi testemunhas, acompanhei perícias e assisti a um dos julgamentos mais longos da história recente do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro”, declarou.

“Recebi essa decisão com profunda revolta”

Durante o pronunciamento, o parlamentar afirmou que sua principal insatisfação não está apenas no resultado do julgamento, mas também nos fundamentos apresentados para a decisão.

Segundo ele, o próprio Ministério Público teria manifestado entendimento diferente sobre a responsabilização dos envolvidos.

“Confesso que recebi essa decisão com profunda revolta. O que mais me choca não é apenas o resultado da sentença, mas a fundamentação dessa decisão. O Ministério Público entende que ela deveria ter sido condenada também pela morte dolosa”, afirmou.

Apesar das críticas, Leniel ressaltou que respeita as instituições e o Poder Judiciário, mas disse considerar legítimo expressar sua discordância como pai da vítima.

“Eu respeito as instituições, respeito o Poder Judiciário, mas tenho o direito de discordar como pai, como ser humano. Tenho o direito de questionar.”

“Henry era uma criança, era meu filho”

Em um dos momentos mais emocionantes do vídeo, Leniel afirmou que sente que a memória do filho acabou ficando em segundo plano durante o processo judicial.

O vereador destacou que Henry não deve ser tratado como símbolo de debates paralelos, mas lembrado como uma criança que perdeu a vida.

“Não estou falando nem mais de mim e da minha família. Estou falando pela memória do Henry. Para mim existe uma verdade muito simples nesse caso: a vida de uma criança deve estar acima de qualquer narrativa.”

“Henry não era uma discussão cultural, Henry não era um símbolo. Henry era uma criança. Henry era meu filho e continuará sendo a razão da minha luta até o último dia da minha vida.”

Pai diz que continuará lutando por justiça

Ao encerrar o pronunciamento, Leniel afirmou que continuará defendendo a memória do filho e alertou para o que considera um precedente preocupante.

“Uma criança de quatro anos morreu. Essa deveria ser a única verdade impossível de se esquecer nesse processo. A resposta que foi dada é uma resposta muito perigosa. Precisamos refletir sobre as consequências que isso pode trazer para outras crianças.”

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Julgamento terminou com condenação de Jairinho e perdão a Monique

O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, foi condenado a mais de 43 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.

Já Monique Medeiros teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo, recebeu perdão judicial e também foi responsabilizada por omissão relacionada à tortura sofrida pela criança. A pena aplicada foi considerada já cumprida, o que resultou na sua soltura ao fim da sessão.

A decisão foi tomada pela juíza responsável pelo caso após a análise das respostas dos jurados aos quesitos apresentados durante o julgamento.

Acusação promete recorrer

A assistente de acusação informou que pretende recorrer da decisão que beneficiou Monique. Segundo ele, houve alteração na formulação dos quesitos apresentados ao júri, o que teria influenciado o resultado final.

A acusação avalia pedir a anulação parcial do julgamento, alegando que a mudança pode ter impactado diretamente na desclassificação do crime de homicídio doloso para culposo. A defesa, por sua vez, sustenta que o resultado respeitou o entendimento dos jurados e que não há irregularidades no procedimento.

Entenda o caso Henry Borel

Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos de idade, após dar entrada em um hospital na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Na ocasião, ele estava sob os cuidados da mãe e do então padrasto.

Inicialmente, foi informado que a criança teria sofrido uma queda, mas exames apontaram múltiplas lesões compatíveis com agressões.

A investigação concluiu que Henry foi vítima de violência dentro do apartamento onde vivia. O caso teve grande repercussão nacional e levou à prisão do ex-vereador e da mãe da criança.

Desde então, o processo passou por diferentes fases judiciais até o julgamento mais recente, que resultou na condenação de Jairinho e no perdão judicial de Monique.

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