A audiência de instrução dos três técnicos de enfermagem acusados de matar pacientes na UTI do Hospital Anchieta, NO Distrito Federal, foi retomada nesta segunda-feira (08) com os depoimentos dos réus. As versões apresentadas pelos acusados divergiram sobre responsabilidade, treinamento e participação nos fatos investigados.

Foto: Reprodução / Bacci Notícias.
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A audiência de instrução dos três técnicos de enfermagem acusados de matar pacientes na UTI do Hospital Anchieta, no Distrito Federal, foi retomada nesta segunda-feira (08) com os depoimentos dos réus. As versões apresentadas pelos acusados divergiram sobre responsabilidade, treinamento e participação nos fatos investigados.

Enfermagem da morte - Bacci Notícias

Investigação aponta que pacientes morreram após receber doses elevadas de medicamentos em UTI do Hospital Anchieta. Foto: Reprodução.

Marcos Vinícius falou sobre treinamento e estado dos pacientes

O primeiro a depor foi Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo. Ele informou que responderia apenas às perguntas de sua defesa.

Durante o depoimento, Marcos confirmou que treinou a técnica Marcela Camilly Alves da Silva por alguns dias após a contratação dela. Segundo ele, o hospital tinha carência de profissionais experientes e o treinamento teria sido inferior ao ideal.

Ao comentar as vítimas, Marcos afirmou que:

  1. Miranilde Pereira da Silva (75 anos) teria dado entrada com crise de ansiedade e, segundo sua visão, não haveria justificativa clínica para permanência em UTI.
  2. João Clemente Pereira (63 anos) já teria chegado em estado debilitado e com histórico de paradas cardíacas antes de ser atendido por ele.
  3. Marcos Moreira (33 anos) foi descrito como “paciente gravíssimo”, e o técnico relatou uma parada cardíaca durante exame de tomografia.

O depoimento também incluiu críticas à rotina do hospital e à realização de exames, mas não trouxe admissão de participação nos crimes investigados.

Marcela chorou, disse ser inocente e apontou confiança em Marcos

Em seguida, Marcela Camilly Alves da Silva afirmou ser inocente. Ela relatou que nunca havia trabalhado em UTI antes de ser contratada pelo Hospital Anchieta e que adquiriu experiência já na unidade.

Marcela confirmou ter sido treinada por Marcos e disse que confiava nas orientações dele. Em um dos momentos mais sensíveis do depoimento, chorou ao afirmar que não sabia o que teria acontecido com as vítimas.

“Todos gostavam dele”, disse Marcela ao explicar por que seguia as instruções do colega.

Questionada sobre a hipótese de Marcos ter usado sua presença para agir sem levantar suspeitas, a técnica respondeu que isso seria possível. Ela também relatou surpresa ao ser levada à delegacia, dizendo que acreditava que prestaria esclarecimentos e voltaria para casa.

Amanda disse que esperava que Marcos assumisse a responsabilidade

A terceira ré a depor foi Amanda Rodrigues de Souza. Ela afirmou que aguardava o depoimento de Marcos com a expectativa de que ele assumisse a responsabilidade pelos fatos e retirasse dela e de Marcela qualquer participação.

“Eu esperei esse momento com expectativa e tinha esperança de que ele tivesse a hombridade de falar a verdade”, declarou Amanda em audiência.

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A técnica afirmou ter tomado conhecimento das acusações apenas na delegacia e disse que as imagens de câmeras em que aparece mostrariam sua atuação em procedimentos de ressuscitação ou momentos em que estaria de costas, sem visualizar o que Marcos supostamente fazia.

Amanda também relatou que sofre ameaças no presídio em razão do caso e disse que sua família foi profundamente afetada pela investigação.

O que acontece agora no processo

Os depoimentos fazem parte da audiência de instrução, fase em que a Justiça colhe provas e ouve réus, testemunhas e peritos antes de decidir os próximos passos do processo.

Ao final da instrução, o juiz poderá determinar novas diligências, abrir prazo para alegações finais das partes e, posteriormente, proferir sentença. Até lá, não há decisão definitiva sobre culpa ou inocência dos acusados.

Relembre o caso

As investigações começaram após a morte de três pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, no Distrito Federal. Os casos levantaram suspeitas depois que análises e imagens de segurança passaram a ser examinadas pelas autoridades.

Segundo o Ministério Público, os técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Souza e Marcela Camilly Alves da Silva teriam participado das ações que resultaram nas mortes dos pacientes João Clemente Pereira, de 63 anos, Marcos Moreira, de 33, e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos.

A acusação sustenta que as vítimas receberam substâncias que provocaram paradas cardiorrespiratórias. A investigação aponta que os crimes teriam ocorrido dentro da unidade de terapia intensiva do hospital.

Desde o início do processo, os três acusados negam envolvimento nas mortes. Durante a audiência desta segunda-feira, Amanda e Marcela voltaram a afirmar que são inocentes e atribuíram a responsabilidade dos fatos a Marcos Vinícius. Já Marcos não confessou participação nos crimes e apresentou sua versão sobre o atendimento prestado às vítimas.

O caso segue em análise pela Justiça do Distrito Federal, que ainda deverá avaliar as provas reunidas durante a fase de instrução antes de decidir os próximos passos do processo.

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