Michelle Bolsonaro permanece afastada da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e condicionou seu apoio a um pedido público de desculpas do senador. O distanciamento ocorre em meio a antigos atritos familiares e ganha relevância diante da queda de Flávio em pesquisas eleitorais, especialmente entre mulheres e evangélicos, grupos nos quais Michelle tem forte influência.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) segue distante da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e, segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, impôs uma condição para participar do projeto político: um pedido público de desculpas por parte do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Michelle Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR/Agência Brasil)
O distanciamento entre Michelle e a campanha de Flávio ocorre desde dezembro, quando o senador foi anunciado como o nome escolhido pelo ex-presidente para disputar o Palácio do Planalto. Desde então, a ex-primeira-dama tem evitado se envolver diretamente na construção da candidatura.
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A informação mais recente sobre a relação entre os dois aponta que Michelle só estaria disposta a participar da campanha após um gesto público de retratação por parte de Flávio. Integrantes do PL tentam atuar nos bastidores para reaproximar os dois diante da importância eleitoral da ex-primeira-dama junto a segmentos estratégicos do eleitorado.
Atritos se intensificaram antes da pré-candidatura
O desgaste entre Michelle e os filhos de Jair Bolsonaro é resultado de divergências internas sobre os rumos do grupo político e a disputa por protagonismo dentro do bolsonarismo.
A relação entre Michelle e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro já havia sido abalada após críticas públicas dele à possibilidade de a ex-primeira-dama disputar a Presidência da República ou compor uma chapa como vice.
Com Flávio, o rompimento ocorreu semanas antes do anúncio de sua pré-candidatura. Na ocasião, o senador classificou a postura de Michelle como “autoritária” durante divergências sobre alianças eleitorais no Ceará. Posteriormente, Flávio afirmou ter pedido desculpas à madrasta.
Sem espaço na disputa presidencial, Michelle chegou a ser apontada como possível candidata ao Senado pelo Distrito Federal. Entretanto, em março, ela declarou que permaneceria afastada das articulações políticas enquanto Jair Bolsonaro se recuperava de problemas de saúde.
Crises recentes ampliaram tensão familiar
A relação voltou a ficar desgastada em maio durante a crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo relatos citados por O Globo, aliados de Eduardo e Carlos Bolsonaro demonstraram insatisfação com a postura da ex-primeira-dama após ela evitar defender publicamente o senador e afirmar que questionamentos sobre o caso deveriam ser direcionados ao próprio Flávio.
O desconforto aumentou após Michelle se referir ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, como “irmão em Cristo” ao comentar uma autorização concedida ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período de prisão domiciliar.
Nos bastidores do PL, a postura da ex-primeira-dama é interpretada como um movimento para preservar seu próprio capital político diante das incertezas sobre o cenário eleitoral da direita.
Segundo informações publicadas pelo colunista Lauro Jardim, Michelle e Flávio ainda não se encontraram pessoalmente em 2026. A comunicação entre ambos teria ocorrido apenas por meio de interlocutores, como o senador Rogério Marinho (PL-RN), o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Queda nas pesquisas preocupa aliados
O afastamento de Michelle ocorre em um momento de preocupação dentro do PL com o desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro.
Recortes da pesquisa Genial/Quaest divulgados recentemente apontam perda de apoio do senador entre grupos considerados estratégicos para sua candidatura, como evangélicos, mulheres, jovens e moradores da região Sudeste.
Os números ajudam a explicar a ampliação da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um cenário de segundo turno. Segundo o levantamento, Lula aparece com 44% das intenções de voto, contra 38% de Flávio. Na pesquisa anterior, realizada em maio, os dois estavam tecnicamente empatados, com 42% e 41%, respectivamente.
Entre os evangélicos, segmento tradicionalmente alinhado ao bolsonarismo, a vantagem de Flávio sobre Lula caiu de 37 para 21 pontos percentuais entre maio e junho. O senador passou de 61% para 52% das intenções de voto nesse grupo, enquanto Lula avançou de 24% para 31%.
Já entre as mulheres, a situação também se deteriorou para o pré-candidato. Enquanto Lula subiu de 42% para 47% das intenções de voto desde abril, Flávio caiu de 37% para 33%, ampliando a vantagem do petista para 14 pontos percentuais nesse segmento.
Diante desse cenário, dirigentes do PL avaliam que a participação de Michelle Bolsonaro na campanha pode ser decisiva para fortalecer a candidatura de Flávio entre eleitores evangélicos e mulheres, dois dos públicos nos quais a ex-primeira-dama possui maior influência política.
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