Com a chegada do frio, aumentam os casos de doenças respiratórias no Brasil. O infectologista Dr. Jean Gorinchteyn explica as diferenças entre gripe, resfriado, Influenza, H1N1 e pneumonia, além de alertar para sinais de gravidade e grupos de risco. Ele reforça a importância da vacinação anual e de medidas preventivas como uso de máscara, higiene das mãos e ambientes ventilados.

Infectologista explica diferenças entre gripe, resfriado, H1N1 e pneumonia

Com a chegada das temperaturas mais baixas, cresce significativamente a circulação de vírus respiratórios no Brasil, o que leva ao aumento de casos de gripe, resfriados e outras infecções. O cenário, comum neste período do ano, é explicado pelo comportamento da população e pelas condições climáticas que favorecem a transmissão.

Em entrevista ao Bacci Notícias, o médico infectologista Dr. Jean Gorinchteyn e professor de Doenças Infecto Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), diz que a combinação de frio e aglomerações em ambientes fechados cria um ambiente ideal para a disseminação dos vírus.

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“Com a baixa das temperaturas que já vem acontecendo independente do início do inverno, pois já vimos no final do outono temperaturas muito baixas, é natural que as pessoas se aglomerem mais em ambientes mal arejados e mal ventilados, e dessa forma a circulação de vírus acaba sendo muito grande e a contaminação das pessoas acaba sendo uma consequência”, afirma o especialista.

Diferença entre gripe, resfriado, Influenza e pneumonia

Um dos principais desafios da população é diferenciar doenças que apresentam sintomas semelhantes, mas evoluções distintas. De acordo com o infectologista, o resfriado costuma ser mais leve e não comprometer o estado geral do paciente.

“Aqueles sintomas leves, como nariz entupido e uma leve dor de garganta, que não comprometem o nosso estado geral, muito possivelmente estejam relacionados a um quadro de resfriado, causado por um adenovírus ou um rinovírus”, explica.

Já a gripe tende a apresentar um quadro mais intenso, com impacto direto na rotina do paciente.

“Mas se, além desses sintomas respiratórios, eu tiver dor muscular importante, febre mais alta e que comprometa a minha realização de tarefas cotidianas, é importante pensarmos na presença de gripe”, completa.

O médico alerta ainda para grupos que merecem maior atenção em caso de infecção, especialmente pessoas com imunidade reduzida, gestantes, idosos e crianças pequenas.

“Nesses casos, a atenção deve acontecer principalmente em pessoas que já têm algum problema em sua imunidade, como mulheres grávidas e pessoas nos extremos de idade, ou seja, com mais de 80 anos ou crianças abaixo de 5 anos, especialmente abaixo de 1 ano”, destaca.

Quando procurar atendimento médico

O especialista reforça que alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica urgente, principalmente quando há agravamento dos sintomas respiratórios ou comprometimento geral do paciente.

“A avaliação médica deve acontecer principalmente em pessoas que já tenham algum problema em sua imunidade e pacientes que apresentem sintomas importantes além dos sintomas respiratórios, como comprometimento geral, dor no corpo, comprometimento pulmonar, chiado no peito, dificuldade de respirar, arroxeamento dos dedos e cansaço”, alerta.

Segundo ele, nesses casos, a recomendação é buscar atendimento o quanto antes, preferencialmente em unidades de pronto atendimento, para avaliação adequada.

Jean Gorinchteyn – médico infectologista e secretário municipal de saúde de São Bernardo do Campo / Foto: reprodução/redes sociais

H1N1 e Influenza ainda circulam no Brasil

O infectologista explica que o vírus H1N1 continua circulando no país desde a pandemia de 2009 e faz parte do conjunto de vírus Influenza que seguem ativos sazonalmente.

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“Estamos sempre tendo variantes do H1N1, que é a gripe suína que veio a partir de 2009, e veio para ficar. Dessa maneira, é importante nós tomarmos vacinas todos os anos”, afirma.

Ele destaca ainda que a vacinação contra a gripe não protege apenas contra o H1N1, mas também contra outros tipos de Influenza.

“A vacina da gripe não é composta só por vírus H1N1, é formada por dois vírus da Influenza A, incluindo o H1N1, e pela Influenza B, então dessa forma a gente tem uma proteção muito mais adequada”, explica.

A recomendação, segundo ele, é que todas as pessoas acima de seis meses de idade sejam vacinadas, com atenção especial aos grupos mais vulneráveis.

Prevenção e cuidados durante o inverno

Além da vacinação, o infectologista reforça a importância de medidas simples, mas eficazes, para reduzir a transmissão dos vírus respiratórios.

“A forma das pessoas reduzirem a sua contaminação é tomando as vacinas, lembrando que a vacina que você toma hoje só vai ter efeito daqui a 12 ou 15 dias, então o quanto antes você tomar a vacina, mais cedo você vai estar protegido”, orienta.

Ele também recomenda o uso de máscaras em ambientes fechados e de grande circulação, especialmente no transporte público, além da higienização frequente das mãos.

“Além das vacinas, é importante a gente usar máscaras, principalmente no transporte público, nesses ambientes aglomerados, em que você não consegue manter os ambientes arejados, e ao mesmo tempo fazer a utilização do álcool em gel”, afirma.

O médico acrescenta ainda cuidados complementares importantes no período de inverno.

“Lembrando também que a hidratação é fundamental, e lavar bem o nariz com solução fisiológica ajuda muito na proteção local”, completa.

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