Estudantes que ingressarem em cursos de medicina a partir da publicação da Medida Provisória 1.370, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), precisarão comprovar proficiência no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) para obter o registro profissional e exercer a medicina no país.

Enamed passa a ser exigência para registro médico e divide opiniões entre estudantes de Medicina

Estudantes que ingressarem em cursos de medicina a partir da publicação da Medida Provisória 1.370, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), precisarão comprovar proficiência no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) para obter o registro profissional e exercer a medicina no país.

 

A medida, que já está em vigor, estabelece o exame como requisito obrigatório e altera a forma de avaliação dos futuros médicos no Brasil.

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O modelo passa a valer para ingressos a partir da última sexta-feira (19) e prevê duas etapas ao longo da graduação: uma no quarto ano, com caráter apenas diagnóstico, e outra no sexto ano, que será decisiva para a obtenção do registro profissional. Apenas a segunda etapa será registrada no histórico escolar do estudante.

Prova teórica e exigência mínima

O Enamed será aplicado exclusivamente de forma teórica, sem etapa prática. Para ser considerado proficiente, o candidato precisa atingir no mínimo 60 pontos em uma escala de 0 a 100.

Caso não alcance a nota exigida, o estudante poderá refazer o exame quantas vezes forem necessárias, já que a avaliação passará a ser aplicada semestralmente.

A definição da nota de corte utiliza o Método de Angoff Modificado, que busca garantir um padrão mínimo de desempenho equivalente à prática médica, independentemente de mudanças na prova ao longo dos anos.

Sem efeito retroativo e mudanças no Revalida

A nova exigência não tem efeito retroativo e não atinge médicos já formados, estudantes atualmente matriculados ou profissionais com diploma revalidado antes da publicação da norma.

A MP também altera o Revalida, exame voltado a médicos formados no exterior. A etapa teórica passa a ser substituída pela segunda fase do Enamed, enquanto a prova prática segue sob responsabilidade do Inep, ligado ao Ministério da Educação. Candidatos já aprovados na primeira fase do Revalida antes da mudança continuam dispensados.

Origem e impacto da mudança

Criado em 2025, o Enamed tinha inicialmente o objetivo de avaliar a qualidade dos cursos de medicina e auxiliar na seleção para residências médicas. A mudança ganhou força após a primeira edição do exame apontar que cerca de um terço dos cursos avaliados ficou abaixo do nível mínimo de qualidade, com piores resultados concentrados em instituições privadas e municipais.

Por ser uma medida provisória, o texto tem efeito imediato, mas precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional em até 120 dias para não perder a validade. O tema também tramita em paralelo a um projeto de lei no Senado, de autoria do senador Hiran (PP-RR), que trata do mesmo assunto.

O que dizem os estudantes

A estudante Sabrina Pricolo, do 4º semestre de Medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, relatou que recebeu a notícia inicialmente com incerteza e preocupação.

“Essa notícia começou com um burburinho na internet, eu ainda não entendia se era verdade ou não, mas já comecei a ficar preocupada”, afirmou.

Segundo ela, a confirmação veio em reunião com professores, que explicaram a implementação do novo modelo.

“Um professor reuniu os alunos e informou que o Enamed já estava aprovado e que nós seríamos preparados para essa prova ao longo da graduação”, disse.

A estudante de medicina, Sabrina Pricolo - Foto: Arquivo Pessoal

A estudante de medicina, Sabrina Pricolo – Foto: Arquivo Pessoal

Avaliação sobre a exigência

Ao comentar a exigência de nota mínima, a estudante destacou que o conhecimento técnico é essencial, mas não é o único fator na formação médica.

“Existem muitas maneiras de qualificar um bom profissional da saúde, e o seu conhecimento é uma delas. Não sou contra esse método de avaliação”, afirmou.

Ela também ressaltou a importância da humanização na prática médica.

“Para ser um bom médico não basta ser o mais inteligente, ele precisa ser um profissional humanizado, que saiba lidar com os pacientes, tanto em situações simples como numa emergência”, disse.

Para ela, o exame é positivo, mas ainda pode ser aprimorado.

“O exame é uma boa forma de garantir a qualidade dos médicos, mas poderia ser uma avaliação mais completa”, completou.

Preparação ao longo do curso

Sobre a própria formação, Sabrina avalia que ainda não se sente preparada para atingir a nota exigida neste momento do curso.

“Não, já que estou no quarto semestre ainda e não tenho todo o conhecimento necessário pra alcançar a nota mínima nessa prova”, afirmou.

Apesar disso, ela acredita que a preparação ao longo da graduação será suficiente.

“Creio que na hora que me for aplicada vou me sentir preparada, pois vou ter estudado muito mais até lá”, concluiu.

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