MC Negão Original foi preso nesta quinta-feira (25) pelo DOPE, em São Paulo, após ser foragido por suspeita de participação em esquema de estelionato virtual. O funkeiro vinha em alta com a música “Cuida do Pet”, que chegou ao top 20 do Spotify. A investigação aponta possível ligação com golpes que movimentaram R$ 100 milhões. Especialistas afirmam que foragidos podem exercer atividade artística legalmente.
O funkeiro MC Negão Original, foragido da polícia, foi preso nesta quinta-feira (25) pelo DOPE (Departamento de Operações Policiais Estratégicas), em São Paulo. Ele é alvo de uma operação da Polícia Civil que investiga uma organização criminosa especializada em golpes virtuais.

O funkeiro MC Negão Original — Foto: Reprodução/Instagram
A faixa alcançou a 13ª posição no top 20 do Spotify em apenas duas semanas, consolidando a visibilidade do artista nas plataformas digitais mesmo enquanto era considerado foragido.
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Sucesso nas plataformas antes da prisão
“Cuida do Pet” foi feita em parceria com Aaron Modesto, Willian, Iguinho CT e DU’L e nasceu antes de João Vitor Marcelino Guido, nome verdadeiro do artista, ter a prisão decretada pela Justiça e seu paradeiro ser considerado desconhecido pela polícia.
Antes disso, MC Negão Original já havia gravado sua parte na música, que viralizou nas redes sociais entre março e abril. O trecho do funkeiro foi o mais comentado e acabou ganhando destaque próprio.
A repercussão foi tanta que esse trecho originou a versão “Por Isso Ela Mente”, cujas prévias ultrapassam 2 milhões de visualizações no YouTube e no TikTok.
Produção, viralização e versões da música
Com o crescimento do interesse, o próprio artista entrou em contato com os demais envolvidos e sugeriu o lançamento oficial da faixa, que acabou ganhando videoclipe.
MC Negão Original gravou sua participação isoladamente, sem encontrar os outros artistas, com cada parte sendo produzida em locais diferentes.
O videoclipe oficial atingiu cerca de 1 milhão de visualizações em uma semana. Já uma versão feita por inteligência artificial, lançada no fim de maio, soma 2 milhões de visualizações no YouTube.
Investigação envolve suposto esquema de R$ 100 milhões
As suspeitas contra o artista fazem parte de uma operação deflagrada em fevereiro pela Polícia Civil, que investiga uma organização criminosa especializada em golpes virtuais.
Segundo os investigadores, o esquema teria movimentado cerca de R$ 100 milhões ao longo de cinco anos, com vítimas em diversos estados.
Os golpes envolviam mensagens se passando por funcionários do INSS, com solicitações de “prova de vida” para evitar bloqueio de benefícios.
Durante as abordagens, as vítimas eram induzidas a instalar aplicativos que permitiam acesso remoto aos aparelhos e captura de dados bancários e pessoais.
Gírias em músicas chamaram atenção da polícia
De acordo com a investigação, trechos das músicas do funkeiro também passaram a ser analisados pelos investigadores.
Entre as expressões citadas estão “Raul”, usada para se referir a golpistas, e “7”, referência ao artigo 171 do Código Penal, que trata do crime de estelionato.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que as diligências para localização e prisão do artista e dos demais investigados estavam em andamento até a captura.
O que diz a lei sobre artistas foragidos
Especialistas explicam que a legislação não impede que uma pessoa foragida da Justiça produza ou divulgue seu trabalho artístico, o que não configura novo crime.
O entendimento jurídico é de que o dever de localizar o investigado é do Estado, e não há obrigação de se entregar espontaneamente por conta da atividade profissional.
Também não há enquadramento criminal para produtores e colaboradores de obras artísticas, desde que não haja auxílio direto à fuga ou ocultação do foragido.
Funk e narrativa dos “Rauls” no crime virtual
O funk paulistano passou a incorporar, especialmente a partir dos anos 2010, narrativas sobre o universo dos golpes e do estelionato, conhecidos como “Rauls” no meio.
Artistas como MC Kelvinho e MC Kapela ajudaram a popularizar o tema em músicas que retratam a lógica e o cotidiano desse tipo de crime, não necessariamente sua prática direta.
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