Smart Sampa e Smart Sanca são sistemas de videomonitoramento que utilizam inteligência artificial para apoiar a segurança pública em São Paulo e São Caetano do Sul. O modelo da capital opera com cerca de 50 mil câmeras e maior escala territorial, enquanto o sistema do ABC é mais integrado entre secretarias municipais.
Os sistemas Smart Sampa, na capital paulista, e Smart Sanca, em São Caetano do Sul, fazem parte de uma tendência crescente de uso de tecnologia na segurança pública municipal. As plataformas combinam videomonitoramento, inteligência artificial e integração de dados para apoiar ações das forças de segurança e outras áreas da administração pública.

Smart Sanca – Foto: Lucas Tadeu/BN
Na prática, os dois sistemas funcionam como centros de monitoramento que recebem imagens de câmeras espalhadas pelas cidades e utilizam ferramentas automatizadas para identificar situações consideradas relevantes pelas administrações, como veículos com registro de roubo ou furtos e pessoas procuradas pela Justiça.
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Apesar de compartilharem a mesma base tecnológica, os modelos diferem em escala, estrutura e forma de integração com outros serviços públicos.
Smart Sampa opera com cerca de 50 mil câmeras na capital
Em São Paulo, o Smart Sampa é apresentado pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) como um sistema de videomonitoramento em larga escala, com cerca de 50 mil câmeras instaladas em pontos estratégicos da cidade.
De acordo com a prefeitura, o sistema utiliza inteligência artificial para apoiar a identificação de pessoas com mandados de prisão em aberto, pessoas desaparecidas e veículos com registro de roubo ou furto. Também há uso de leitura automática de placas, conectada a bancos de dados oficiais.

SmartCop – Foto: Divulgação
Quando o sistema identifica uma possível ocorrência, um alerta é gerado e encaminhado para operadores humanos, que fazem a validação antes de qualquer ação das equipes em campo. Segundo a administração municipal, não há atuação automática sem essa checagem.
A prefeitura informa que o Smart Sampa já resultou na captura de mais de 3 mil foragidos da Justiça, localização de mais de 220 pessoas desaparecidas, além de 5,8 mil prisões em flagrante e cerca de 3 mil ocorrências envolvendo veículos.
O sistema também é utilizado em apoio a outras áreas, como monitoramento de trânsito, Defesa Civil, grandes eventos e investigações criminais, mediante solicitação de órgãos competentes. A gestão afirma ainda que o programa segue a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), com controle de acesso e registro de operações.
Smart Sanca integra secretarias e atua de forma mais territorial
Em São Caetano do Sul, o Smart Sanca é definido pela gestão municipal como um centro integrado de monitoramento e gestão urbana. Diferente de um sistema apenas de câmeras, ele reúne diferentes secretarias e forças de segurança em uma mesma estrutura operacional.
Segundo o prefeito Tite Campanella (Republicanos), o sistema integra áreas como Segurança, Mobilidade Urbana, Governo, Saúde e Defesa Civil, além de atuação conjunta com Polícia Militar e Polícia Civil.
O funcionamento inclui o uso de inteligência artificial para análise de imagens e geração de alertas operacionais. Esses alertas são baseados na identificação de padrões ou comportamentos considerados fora da normalidade, como veículos parados por tempo incomum em cruzamentos ou movimentações suspeitas em áreas monitoradas.

As câmeras do sistema Smart Sanca – Foto: Lucas Tadeu/BN
Assim como no modelo da capital, os alertas são analisados por operadores humanos antes de qualquer ação prática. O sistema também está conectado a bases de dados estaduais e nacionais, permitindo identificação de veículos roubados ou furtados.
De acordo com a prefeitura, o Smart Sanca contribuiu para a captura de mais de 200 pessoas procuradas pela Justiça em menos de um ano, além de auxiliar na recuperação de veículos e em ocorrências de vandalismo, pichação e incêndios criminosos.
O município também afirma que houve redução de crimes patrimoniais, com períodos em que não foram registrados roubos de veículos. A gestão atribui parte desses resultados ao uso do sistema e à atuação integrada das forças de segurança.
Como os sistemas usam inteligência artificial
Nos dois modelos, a inteligência artificial atua como ferramenta de apoio, analisando imagens de câmeras e cruzando informações com bancos de dados. O objetivo é gerar alertas para situações específicas previamente definidas pelos sistemas.
Esses alertas não são automáticos. Tanto em São Paulo quanto em São Caetano, as administrações afirmam que há validação humana obrigatória antes de qualquer abordagem ou ação operacional.
Entre as funcionalidades citadas estão reconhecimento de padrões de movimentação, leitura automática de placas e identificação de pessoas ou veículos de interesse das autoridades.
Diferenças entre Smart Sampa e Smart Sanca
Embora tenham princípios semelhantes, os sistemas apresentam diferenças importantes de estrutura.
O Smart Sampa opera em escala muito maior, com cobertura distribuída por toda a capital paulista e foco em volume de câmeras e abrangência territorial. Já o Smart Sanca funciona em uma cidade menor e aposta em integração direta entre secretarias e serviços urbanos, com atuação mais concentrada e territorial.
Enquanto São Paulo prioriza a expansão da rede de monitoramento, São Caetano destaca um modelo mais integrado à rotina administrativa da cidade, com uso da tecnologia também em áreas como mobilidade, defesa civil e zeladoria urbana.
Debate envolve também privacidade e uso de dados
Tanto o Smart Sampa quanto o Smart Sanca afirmam seguir as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), com controle de acesso às informações e restrição de uso para agentes autorizados.
Os sistemas são apresentados pelas gestões como ferramentas de apoio à segurança pública, mas o uso de videomonitoramento em larga escala e inteligência artificial também levanta debates sobre privacidade, vigilância urbana e limites do uso de dados em espaços públicos.
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