Marco Rubio respondeu à carta de Flávio Bolsonaro e reafirmou que o governo Donald Trump mantém a defesa da aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Apesar de agradecer o apoio do parlamentar a medidas contra facções criminosas, o secretário de Estado afirmou que as divergências comerciais permanecem e que o caso seguirá sendo discutido pelo USTR em audiência pública.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante encontro em Washington em maio de 2026 — Foto: Reprodução
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante encontro em Washington em maio de 2026 — Foto: Reprodução

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, respondeu à carta enviada pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e reafirmou a posição do governo de Donald Trump em favor da aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A correspondência, enviada na última terça-feira (23), foi uma resposta ao pedido feito por Flávio no início de junho para que Washington evitasse ampliar as sanções comerciais contra o Brasil.

Carta do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em resposta a telegrama enviado por Flávio Bolsonaro pedindo para que o governo Trump não aplicasse novas tarifas contra o Brasil — Foto: Reprodução

Carta do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em resposta a telegrama enviado por Flávio Bolsonaro pedindo para que o governo Trump não aplicasse novas tarifas contra o Brasil — Foto: Reprodução

Na carta, Rubio agradeceu o apoio do parlamentar à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O secretário também elogiou a proposta apresentada por Flávio de criar uma equipe de transição entre os governos brasileiro e norte-americano caso ele vença as eleições presidenciais.

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Pedido de Flávio não altera posição dos EUA

Apesar do apelo do presidenciável, Rubio deixou claro que o governo norte-americano mantém as divergências comerciais com o Brasil. Segundo ele, as investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) identificaram questões que continuam sem solução.

Entre os pontos citados estão políticas relacionadas ao comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, como o Pix, tarifas consideradas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões envolvendo desmatamento ilegal.

Rubio ressaltou, porém, que as investigações comerciais são conduzidas pelo embaixador Jamieson Greer, chefe do USTR, e não diretamente pelo Departamento de Estado.

Audiência pública poderá discutir o caso

Na resposta, o secretário informou que qualquer interessado poderá participar da audiência pública promovida pelo USTR, marcada para o dia 6 de julho, destinada a discutir as propostas de novas tarifas.

Segundo Rubio, o período de consulta pública permanece aberto até 1º de julho, permitindo que representantes brasileiros apresentem argumentos durante o processo de análise.

Flávio Bolsonaro anunciou que pretende viajar aos Estados Unidos para participar da audiência. Segundo ele, o objetivo é tentar convencer autoridades americanas a evitar a adoção de novas barreiras comerciais contra o Brasil.

Relação entre Brasil e Estados Unidos

Na carta, Rubio afirmou que o governo norte-americano acompanha com atenção o cenário político brasileiro e reconheceu o otimismo demonstrado por Flávio em relação às eleições presidenciais.

Mesmo assim, destacou que os Estados Unidos estão dispostos a manter diálogo e cooperação com qualquer presidente escolhido democraticamente pelos brasileiros, independentemente do resultado das eleições.

Entenda a proposta de novas tarifas

As investigações comerciais abertas pelo governo norte-americano resultaram em duas propostas de aumento de tarifas sobre produtos brasileiros.

A primeira prevê a cobrança de 25% sobre produtos nacionais e cita supostas deficiências em áreas como comércio digital, funcionamento do Pix, combate à corrupção e proteção à propriedade intelectual.

Já a segunda investigação propõe tarifas de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros países, sob a alegação de que essas nações não adotaram medidas suficientes para impedir a exportação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

O governo brasileiro classificou as propostas como injustificáveis e afirmou que elas representam uma tentativa de pressionar o país no campo econômico e diplomático.

Leia a íntegra:

“Caro Senador Bolsonaro:

Agradeço sua carta e sua recente visita a Washington. Compartilho de sua convicção de que a duradoura amizade entre os Estados Unidos e o Brasil deve permanecer ancorada em valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão unificada para a segurança e prosperidade do Hemisfério Ocidental.

Agradeço profundamente seu apoio à nossa decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como Organizações Terroristas Estrangeiras e Globais Especialmente Designadas, conforme a legislação dos EUA. Os Estados Unidos reconhecem que a violência e as redes criminosas sofisticadas dessas facções ameaçam a segurança de cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado. Ao atingir suas redes financeiras, de drogas e armas, estamos tomando ações decisivas para proteger tanto o povo brasileiro quanto o americano do crime organizado transnacional.

Conforme você observa, o Representante Comercial dos Estados Unidos, Embaixador Jamieson Greer, anunciou em 1º de junho de 2026 sua determinação de que certos atos, políticas e práticas do Brasil são injustificáveis ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos EUA. Ele propôs uma ação responsiva para comentário público. Essa determinação e a ação responsiva proposta decorrem de uma investigação iniciada em julho de 2025, por direção específica do Presidente Trump.

O Embaixador Greer deixou claro que continuamos a ter diferenças substanciais na resolução das questões identificadas nessa investigação. Estas se relacionam ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas, aplicação anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Qualquer parte interessada no Brasil pode participar do período de comentário público sobre a ação responsiva proposta e da audiência pública que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos convocará em 6 de julho de 2026. O período de comentário público permanece aberto até 1º de julho de 2026. Os pedidos para comparecer à audiência são devidos em 22 de junho de 2026.

Os Estados Unidos permanecem firmes em seu desejo de ver um Brasil próspero, seguro e economicamente estável. Notamos seu otimismo em relação às próximas eleições de outubro e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição, caso seja eleito. Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar cooperativamente com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro, em busca de um arcabouço amplo, justo e mutuamente benéfico de comércio e investimento.

Aguardo nosso diálogo contínuo e o fortalecimento da parceria estratégica entre nossas duas grandes nações. Deus bendiga os Estados Unidos e o Brasil.

Atenciosamente,

Marco Rubio”

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