Cinco dias após o terremoto que atingiu a Venezuela e deixou mais de 50 mil desaparecidos, um novo tremor voltou a atingir o país, dificultando ainda mais as operações de busca e resgate. Com o encerramento da chamada “janela de ouro” em diversas áreas afetadas, a prioridade das equipes deixa de ser apenas localizar sobreviventes e passa a incluir um trabalho igualmente delicado: a identificação das vítimas.

Foto: Reprodução.
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Cinco dias após o terremoto que atingiu a Venezuela e deixou mais de 50 mil desaparecidos, um novo tremor voltou a atingir o país, dificultando ainda mais as operações de busca e resgate.  Com o encerramento da chamada “janela de ouro” em diversas áreas afetadas, a prioridade das equipes deixa de ser apenas localizar sobreviventes e passa a incluir um trabalho igualmente delicado: a identificação das vítimas.

Equipes de resgate atuam em área atingida pelo terremoto na Venezuela, enquanto as buscas por sobreviventes dão lugar ao trabalho de identificação das vítimas. Foto: Reprodução.

Segundo a médica especialista em Medicina Legal e Perícia Médica Caroline Daitx, as primeiras 72 horas após um terremoto são consideradas decisivas para o resgate de pessoas com vida.

“Esse período é conhecido como janela de ouro porque as chances de sobrevivência diminuem rapidamente em razão da desidratação, da falta de oxigênio e da síndrome do esmagamento. Enquanto houver possibilidade de encontrar sobreviventes, o resgate é prioridade absoluta. Somente quando uma área é considerada sem chances de vida ela é oficialmente transferida para a perícia”, explica.

Como funciona a identificação das vítimas

Após o encerramento das buscas por sobreviventes, entra em ação o protocolo internacional de Identificação de Vítimas de Desastres (DVI), desenvolvido pela Interpol e utilizado em grandes tragédias ao redor do mundo.

Antes que qualquer corpo seja removido, toda a cena é registrada detalhadamente. As equipes documentam a posição da vítima, fotografam o local e coletam evidências que possam auxiliar na identificação.

De acordo com Caroline, existem três métodos primários reconhecidos internacionalmente para confirmar a identidade das vítimas: impressões digitais, odontologia legal e análise de DNA.

“Esses métodos possuem validade jurídica e oferecem segurança na identificação, especialmente quando o reconhecimento visual é impossível, situação comum em desastres de grandes proporções”, afirma.

DNA é considerado o padrão ouro

Entre as técnicas utilizadas, a análise genética é considerada a mais precisa, principalmente em casos em que os corpos estão fragmentados ou em avançado estado de decomposição.

Apesar disso, a especialista destaca que o processo pode ser demorado devido à degradação das amostras e ao grande volume de material que precisa ser analisado por laboratórios especializados.

Outra ferramenta importante é a odontologia legal, responsável por comparar registros odontológicos feitos em vida com exames realizados após a morte. Em grandes desastres, esse método costuma apresentar elevados índices de identificação.

Quando os corpos sofrem destruição severa, a antropologia forense também desempenha papel fundamental. Por meio da análise dos ossos, os especialistas conseguem estimar características como sexo, idade, estatura e identificar possíveis traumas.

Trabalho envolve diferentes especialistas

A identificação das vítimas depende da atuação conjunta de médicos legistas, odontólogos legais, antropólogos forenses, peritos papiloscopistas, especialistas em DNA, radiologistas e fotógrafos forenses.

A médica legista Caroline Daitx explica como funciona o protocolo internacional de identificação de vítimas adotado em grandes desastres. Foto: Divulgação / Redes sociais.

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Além dos exames realizados nos corpos, as equipes cruzam essas informações com dados fornecidos pelas famílias, como prontuários médicos, registros odontológicos, fotografias, cicatrizes, tatuagens e outras características individuais.

Mais do que ciência, uma questão de direitos humanos

Para Caroline Daitx, o trabalho da perícia vai além da investigação técnica e representa uma etapa essencial para garantir dignidade às vítimas e às famílias.

“Trata-se de uma questão de direitos humanos. Identificar corretamente cada vítima permite que as famílias realizem o sepultamento, iniciem o processo de luto e tenham acesso a direitos legais, como emissão da certidão de óbito, seguros e herança”, destaca.

Segundo a perita, diante da dimensão da tragédia na Venezuela, a atuação das equipes periciais é fundamental para assegurar que cada vítima tenha sua identidade restabelecida com precisão, respeito e segurança jurídica.

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