Presa em Itabira, a diarista Paola Stefany Neto Cirino confessou à Polícia Civil ter dopado um casal de idosos com soníferos antes de assassiná-los em um apartamento de luxo em Belo Horizonte. Ela alegou ter sofrido um surto psicótico. A investigação apura possível participação de comparsas e a motivação do crime.
A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, presa sob suspeita de assassinar o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária aposentada Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, confessou à Polícia Civil que dopou o casal antes do crime. Em depoimento, ela alegou ter sofrido um “surto” psicótico e afirmou que não planejava cometer o assassinato.

Segundo o delegado Gustavo Barletta, responsável pela investigação, a suspeita utilizou um medicamento para dormir que ela própria fazia uso. Conforme relatado, Paola administrou quatro comprimidos do sonífero para cada uma das vítimas, que teriam ficado desacordadas antes dos ataques.
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Ainda de acordo com os investigadores, a diarista afirmou que entrou no apartamento sem a intenção de roubar, mas alegou ter sido atraída pelos objetos de valor encontrados no imóvel. Ela também declarou que deixou o local em um carro de aplicativo. A Polícia Civil, porém, continua apurando a dinâmica do crime e não descarta a participação de outras pessoas.
Prisão após um dia foragida
Paola foi presa na madrugada desta quinta-feira (2), em um hotel na cidade de Itabira, na Região Central de Minas Gerais. Ela estava acompanhada do filho, de 6 anos, quando foi localizada por equipes da Polícia Civil após um trabalho de inteligência que rastreou seu paradeiro.
Imagens registraram a chegada da suspeita ao Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), em Belo Horizonte, poucas horas após a prisão.
A diarista é apontada como principal suspeita de matar o casal, encontrado sem vida na tarde de terça-feira (30), dentro do apartamento de luxo onde moravam, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul da capital mineira.
Primeiro dia de trabalho terminou em tragédia
As investigações apontam que Paola trabalhou pela primeira vez na residência das vítimas na segunda-feira (29), após ter sido indicada por um familiar próximo do casal.
A Polícia Civil esclareceu que não há qualquer indício de envolvimento da pessoa que fez a indicação.
Imagens do circuito interno de segurança mostram que a diarista entrou no prédio por volta das 7h30 carregando apenas uma bolsa. Cerca de oito horas depois, ela deixou o local usando roupas diferentes das que vestia ao chegar e carregando duas sacolas grandes e uma bolsa reconhecida pela família como pertencente a Maria Clotilde.
Casal foi morto com 24 facadas
Segundo a perícia, Cláudio Atala Inácio foi atingido por 17 facadas. Já Maria Clotilde sofreu sete golpes.
Para a Polícia Civil, a quantidade de ferimentos demonstra a violência empregada na ação e reforça a hipótese de latrocínio, que é o roubo seguido de morte.
Os investigadores acreditam que o casal não teve chance de reação. A principal linha de investigação indica que as vítimas estavam dormindo ou inconscientes quando foram atacadas.
Objetos furtados foram recuperados
Após o crime, joias, relógios, celulares e outros objetos de valor foram levados do apartamento.
Parte dos bens foi recuperada durante diligências realizadas na quarta-feira (1º). Entre os materiais encontrados estão roupas com manchas de sangue, incluindo a blusa branca usada pela suspeita ao chegar ao prédio, além de uma bolsa, uma caixa de relógios e outros pertences das vítimas.
Os celulares do casal foram localizados em um lote vago na cidade de Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a polícia, os aparelhos estavam embrulhados em papel-alumínio, numa tentativa de dificultar o rastreamento.
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As investigações também apontam que parte das joias e relógios roubados foi vendida pouco depois do crime na região central da capital mineira.
Polícia investiga possível participação de comparsas
Apesar da prisão da principal suspeita, a Polícia Civil afirma que o caso ainda não está totalmente esclarecido.
Um dos focos da investigação é identificar se outras pessoas participaram da ação. Imagens de câmeras de segurança mostram um veículo de alto padrão próximo ao local onde objetos relacionados ao crime foram descartados.
Para os investigadores, existem indícios de que terceiros possam ter ajudado na fuga da diarista, no transporte dos bens furtados ou na ocultação de provas.
Dívidas e histórico de depressão são apurados
Outro aspecto analisado pela polícia é a situação financeira de Paola. Familiares relataram que ela acumulava dívidas e que parentes chegaram a reunir cerca de R$ 40 mil para quitar débitos com agiotas.
Segundo os depoimentos, a suspeita também apresentava histórico de depressão e era considerada emocionalmente instável.
A Polícia Civil ressalta, porém, que essas informações não estabelecem ligação direta com o crime e que a motivação e todas as circunstâncias dos assassinatos seguem sendo investigadas.
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