Em audiência realizada em Washington, Flávio Bolsonaro pediu que os Estados Unidos não apliquem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O senador afirmou que a medida prejudicaria a população, criticou o governo Lula, defendeu o Pix e disse que o sistema brasileiro de pagamentos amplia a inclusão financeira sem representar ameaça às empresas americanas.
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), mudou o tom em relação à proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e fez um apelo para que a medida não seja adotada. Durante audiência realizada nesta terça-feira (07), em Washington, o parlamentar afirmou que este seria o “pior momento possível” para a aplicação da taxação.

Flávio Bolsonaro e Donald Trump – Foto: Reprodução/Redes Sociais
A audiência foi promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável por conduzir a investigação comercial que pode resultar na cobrança de novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
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Segundo Flávio, a adoção da medida acabaria prejudicando a população brasileira sem atingir aqueles que, em sua avaliação, são responsáveis pelas divergências entre os dois países.
“Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter — premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências — seria o pior momento possível para agir”, afirmou o senador durante a audiência.
Mudança de estratégia
Antes da audiência, Flávio Bolsonaro já havia encaminhado um ofício ao USTR solicitando o adiamento da aplicação das tarifas.
Na ocasião, o parlamentar argumentou que a taxação poderia acabar favorecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha eleitoral deste ano.
Durante sua participação em Washington, Flávio voltou a afirmar que a investigação conduzida pelos Estados Unidos acabou sendo utilizada como instrumento político pelo governo brasileiro.
Segundo o senador, a cobrança de uma tarifa de 25% penalizaria toda a população brasileira, sem atingir diretamente as autoridades envolvidas nas decisões questionadas pelos norte-americanos.
“Elas foram exploradas politicamente pelo atual governo brasileiro. Uma tarifa de 25% penaliza todo o povo brasileiro — exceto justamente as autoridades responsáveis por essas decisões”, declarou.
Flávio faz defesa do Pix
Outro ponto destacado pelo senador durante a audiência foi a defesa do Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos que passou a integrar as discussões da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos.
De acordo com relatos de participantes do encontro, Flávio afirmou que o Pix não representa uma ameaça ao sistema financeiro norte-americano e destacou que a ferramenta surgiu durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo ele, o sistema brasileiro amplia a inclusão financeira e pode coexistir com os meios de pagamento utilizados pelas empresas americanas.
Em nota divulgada após a audiência, o senador afirmou que o Pix é uma solução para ampliar o acesso da população aos serviços financeiros.
“O Pix não é um problema a ser corrigido. É uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira ao trazer milhões de brasileiros — especialmente os mais pobres — para a economia formal. Esse avanço também beneficiou diretamente empresas americanas, já que o volume de transações processadas por cartões de pagamento emitidos por bandeiras dos Estados Unidos continuou crescendo paralelamente à ampla adoção do Pix”, afirmou.
Críticas ao governo Lula
Durante a audiência, Flávio Bolsonaro também fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo participantes do encontro, o senador citou casos de corrupção envolvendo gestões petistas, mencionou o escândalo do mensalão e fez referências ao recente caso envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS.
Além disso, o parlamentar também citou a investigação relacionada ao Banco Master durante sua manifestação aos representantes do governo norte-americano.
Tarifa segue em análise
A audiência desta terça-feira faz parte do processo conduzido pelo USTR para avaliar a eventual aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Após a fase de consultas e manifestações públicas, o governo dos Estados Unidos deverá decidir se mantém, altera ou arquiva a proposta de taxação.
A medida integra uma investigação comercial aberta para analisar práticas que, na avaliação das autoridades norte-americanas, poderiam gerar impactos sobre empresas e interesses econômicos dos Estados Unidos.
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