O FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos investigam movimentações financeiras da Associação de Futebol Argentino (AFA) durante a Copa do Mundo. A apuração mira contratos internacionais administrados pela empresa TourProdEnter LLC e busca esclarecer operações que podem envolver lavagem de dinheiro ou fraude bancária.

Claudio Tapia, presidente da AFA, e Gianni Infatino, presidente da Fifa (Foto: Reprodução / Redes Sociais)
Claudio Tapia, presidente da AFA, e Gianni Infatino, presidente da Fifa (Foto: Reprodução / Redes Sociais)

Fiscais federais dos Estados Unidos e agentes do FBI iniciaram a coleta de depoimentos para investigar operações financeiras da Associação de Futebol Argentino (AFA) realizadas no país durante a Copa do Mundo. A informação foi divulgada pelo jornal argentino La Nacion.

Sede da Asociación del Futbol Argentino

Sede da Asociación del Futbol Argentino (Foto: Reprodução)

Segundo a publicação, o Departamento de Justiça dos EUA busca entender como a entidade movimentou recursos por meio do sistema financeiro americano. A apuração investiga se parte dessas operações pode configurar crimes sob a legislação norte-americana, como lavagem de dinheiro e fraude bancária.

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Seleção da Argentina sob investigação

Uma das pessoas ouvidas foi o empresário Guillermo Tofoni. De acordo com o La Nacion, ele prestou depoimento por videoconferência durante cerca de três horas, em reunião com promotores e agentes do FBI sediados em Washington e Miami.

As investigações também miram a gestão do presidente da AFA, Claudio “Chiqui” Tapia, e do dirigente Pablo Toviggino, além da empresa TourProdEnter LLC, ligada ao produtor teatral Javier Faroni. A companhia teria administrado contratos comerciais internacionais da entidade.

Ainda segundo o jornal, o Departamento de Justiça avalia ouvir ex-integrantes do governo de Javier Milei que tiveram acesso a informações sobre a administração da AFA. A investigação preliminar foi estruturada em 2025 e envolve promotores federais dos Estados Unidos.

Empresa movimentou milhões de dólares

O foco da investigação está na movimentação financeira da TourProdEnter LLC, responsável pela cobrança de contratos internacionais da AFA.

De acordo com o La Nacion, documentos analisados apontam que Javier Faroni e sua esposa, Erica Gillette, movimentaram centenas de milhões de dólares em bancos norte-americanos, incluindo Citibank, Bank of America, JP Morgan, PNC Bank e Synovus.

Valores suspeitos

A reportagem afirma que a empresa administrou pelo menos 260 milhões de dólares (equivalente a R$ 1,3 bilhões) em receitas da AFA. Desse total, cerca de 57 milhões de dólares teriam sido destinados a empresas e beneficiários sem justificativa econômica clara, segundo os documentos obtidos pelo jornal.

Os investigadores também analisam repasses para empresas sem contraprestação identificada e pagamentos a sociedades ligadas a Pablo Toviggino e familiares.

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Representantes da seleção argentina pediram cautela

Representantes da AFA pediram cautela diante das investigações. Durante um evento em Miami, Tomás Regalado, apresentado como embaixador da entidade para a América do Norte, afirmou que medidas investigativas, por si só, não significam culpa ou responsabilidade.

Até o momento, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos não comentou oficialmente o andamento da apuração, que pode incluir pedidos de documentos a bancos, empresas e novas oitivas.

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