Michel Temer afirmou que Dilma Rousseff nunca mais voltou a falar com ele após o impeachment de 2016. Durante entrevista, o ex-presidente relembrou o rompimento, comentou os atos de 8 de janeiro, defendeu o STF e elogiou o ministro Alexandre de Moraes.
O ex-presidente Michel Temer (MDB) revelou que nunca mais teve contato com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), desde o processo de impeachment, em 2016. A declaração foi feita durante participação no programa Frente a Frente, exibido pelo Canal UOL na última segunda-feira (06).

Michel Temer (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)
Durante a entrevista, Temer afirmou que o distanciamento entre os dois se consolidou após uma manifestação pública dele sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, realizada pela Petrobras. Na ocasião, o ex-presidente ressaltou que Dilma era uma pessoa honesta, comentário que acabou provocando uma resposta da petista.
“Eu disse: ‘A senhora ex-presidente é muito honesta, honestíssima’. No dia seguinte, ela lançou uma nota dizendo que não admitia que eu a chamasse de honesta. Eu prometo não fazer mais essa acusação”, afirmou.
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Segundo Temer, o episódio marcou o rompimento definitivo da relação, que já havia sido abalada pelos acontecimentos políticos daquele período.
O impeachment de Dilma Rousseff foi aprovado pelo Congresso Nacional em 2016, sob a acusação de crime de responsabilidade relacionado às chamadas “pedaladas fiscais”. Com a cassação do mandato, Michel Temer, que ocupava a vice-presidência, assumiu o comando do governo e permaneceu no cargo até o fim do mandato, em 2018.
Compra da refinaria de Pasadena
A compra da refinaria de Pasadena, situada no estado do Texas, nos Estados Unidos, foi realizada pela Petrobras em 2006, período em que Dilma Rousseff ocupava a presidência do Conselho de Administração da estatal.
Após a análise do caso, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu, em 2021, que Dilma não poderia ser responsabilizada pelas falhas identificadas na operação. Com isso, a Corte afastou qualquer responsabilidade da ex-presidente em relação ao negócio.
Durante a entrevista, Michel Temer também recordou os primeiros dias em que assumiu interinamente a Presidência da República, após o afastamento de Dilma em 2016.
Segundo ele, o pronunciamento feito naquele momento buscou preservar o respeito à instituição presidencial e à então chefe do Executivo, ressaltando a importância de conduzir a transição de forma equilibrada.
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Temer comenta atos de 8 de janeiro
Michel Temer também falou sobre os atos de depredação registrados em 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram invadidas. Para o ex-presidente, os episódios configuraram uma tentativa de golpe de Estado.
Segundo Temer, embora as invasões tenham representado uma investida contra as instituições democráticas, o movimento não teve respaldo das Forças Armadas.
“A intenção de golpe houve, sim. Houve o desejo, sem dúvida alguma. Porque a invasão não foi aos prédios. Foi aos prédios que abrigavam os Poderes. Portanto, houve tentativa de golpe”, declarou.
Indicação de Moraes ao STF
Na entrevista, Michel Temer também manifestou apoio ao papel institucional do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o ex-presidente, é natural que as decisões da Corte sejam alvo de críticas e debates, mas ressaltou que as atribuições previstas na Constituição para o tribunal devem ser respeitadas.

Alexandre de Moraes (Foto: Gustavo Moreno/STF)
“Você não pode discutir as competências constitucionais do Supremo Tribunal Federal. O que você pode discutir é o mérito”, afirmou.
Temer ainda destacou a atuação do ministro Alexandre de Moraes, cuja indicação ao STF foi feita por ele em 2017. À época, Moraes ocupava o cargo de ministro da Justiça no governo federal e foi escolhido para substituir Teori Zavascki, morto em um acidente aéreo.
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