Uma testemunha apresentou ao Ministério Público um depoimento com alegações sobre o caso Isabella Nardoni. A servidora do sistema penitenciário afirmou ter ouvido de Anna Carolina Jatobá relatos que citam o avô paterno da menina, Antônio Nardoni, como suposto participante da tentativa de encobrir o crime. Ele nega qualquer envolvimento, enquanto as declarações passam por análise das autoridades.

Isabella Nardoni (Foto: reprodukção)
Isabella Nardoni (Foto: reprodukção)

Uma declaração apresentada ao Ministério Público de São Paulo trouxe um desdobramento inesperado para o caso Isabella Nardoni, um dos crimes de maior repercussão do país.

De acordo com informações exibidas pelo programa Fantástico, em 2014, uma servidora do sistema prisional paulista afirmou que ouviu, dentro da penitenciária onde Anna Carolina Jatobá cumpre pena, um relato que apontaria uma suposta participação de Antônio Nardoni, avô paterno da menina, na morte da criança.

Anna Carolina Jatobá (Foto: reprodução)

Segundo o depoimento da funcionária, a informação teria surgido durante conversas no ambiente prisional. A declaração foi encaminhada ao Ministério Público, que recebeu o relato para análise. Antônio Nardoni, por sua vez, negou qualquer envolvimento no crime e afirmou que jamais seria capaz de fazer mal à própria neta.

Morte e condenação

O assassinato de Isabella Nardoni ocorreu em 29 de março de 2008 e chocou o Brasil. Conforme a investigação e a denúncia apresentadas pelo Ministério Público, a menina, de apenas 5 anos, foi asfixiada dentro do apartamento da família, localizado na Zona Norte da capital paulista. Na sequência, ela foi lançada da janela do sexto andar do edifício.

Após o julgamento realizado em 2010, Anna Carolina Jatobá foi condenada a 26 anos e oito meses de prisão, enquanto Alexandre Nardoni recebeu pena superior a 30 anos de reclusão. Ambos foram considerados culpados pela morte da menina.

Depoimento de servidora trouxe nova versão do caso

Em depoimento, a servidora do sistema penitenciário afirmou que Anna Carolina Jatobá teria feito uma confissão informal nos primeiros dias em que esteve presa, em 2008. Segundo o relato, a madrasta de Isabella Nardoni disse que havia agredido a menina, enquanto Alexandre Nardoni teria sido o responsável por lançá-la da janela do apartamento.

A funcionária contou ainda que, naquele período inicial na unidade prisional, Anna demonstrava receio em relação ao contato com as demais detentas.

Publicamente, no entanto, Anna Carolina sempre sustentou a versão de que não teve qualquer participação na morte da enteada. Em entrevista concedida ao Fantástico ainda em 2008, ela declarou ser inocente e negou ter cometido qualquer tipo de agressão contra Isabella.

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Testemunha aponta suposta participação do avô

Ainda segundo o depoimento, a servidora contou que Anna Carolina Jatobá também teria atribuído ao pai de Alexandre Nardoni um papel na tentativa de encobrir o crime. Conforme o relato da funcionária, a condenada disse que o sogro teria orientado o casal a criar uma versão para fazer o episódio parecer um acidente.

A servidora também declarou que a madrasta descreveu acontecimentos que antecederam a morte de Isabella. De acordo com a versão relatada, a família teria saído para fazer compras em um supermercado, mas a aquisição não foi concluída após um problema no pagamento com o cartão.

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá (Foto: Reprodução)

Na mesma conversa, conforme a funcionária, Anna contou que agrediu a enteada enquanto a família ainda estava no carro. A testemunha afirmou que a condenada teria dito que perdeu o controle diante do comportamento da menina e que não imaginava que a situação pudesse ter consequências tão graves.

“Falou que ela bateu na menina porque a menina não parava de encher o saco. Que a menina estava enchendo muito o saco. Que não era para ser tão grave. Pensou que matou, pensou que a menina estivesse morta.” “Ela fala que não estrangulou a menina. Que ele colocou a menina no chão, acreditando que a menina estivesse morta, enquanto ela ligava para o sogro”.

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Conversa entre Anna Jatobá e o sogro

Em seu depoimento, a servidora contou que Anna Carolina Jatobá também teria relatado uma conversa com o sogro, Antônio Nardoni, logo após os acontecimentos que resultaram na morte de Isabella.

“Falou para o sogro que matou a menina e ele falou: ‘simula um acidente. Senão, vocês vão ser presos’. Aí, tiveram a ideia de jogar a menina pela janela. Que o Alexandre só jogou a filha porque acreditava que ela estivesse morta e que ele entrou em choque depois que jogou. Desceu, e a menina estava viva”.

As novas declarações também chamaram atenção por coincidirem com um dado já conhecido da investigação. Na época do crime, a análise do sigilo telefônico revelou que houve uma ligação entre Anna Carolina Jatobá e Antônio Nardoni às 23h51 do dia 29 de março de 2008, com duração de 32 segundos.

Ao comentar o novo depoimento, o promotor Francisco Cembranelli afirmou que o registro telefônico já fazia parte das provas reunidas durante a investigação, mas destacou que as novas informações precisam ser cuidadosamente verificadas.

Suposto motivo para o silêncio de Anna Jatobá

A servidora disse acreditar que Anna Carolina Jatobá nunca teria citado oficialmente o nome do sogro por depender do apoio oferecido por ele durante o período em que cumpre pena.

Segundo a funcionária, Antônio Nardoni seria responsável por prestar assistência constante à família e também à condenada dentro da unidade prisional. Ela relatou que Anna receberia com frequência produtos e itens considerados incomuns em comparação aos demais detentos, como alimentos diferenciados e objetos pessoais.

A testemunha ainda afirmou que a madrasta de Isabella utiliza um colchão especial, que, conforme seu relato, teria sido adquirido por Antônio Nardoni para amenizar problemas de coluna enfrentados por Anna Carolina durante o cumprimento da pena.

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