O Ministério Público da Bahia e os pais de Mateus da Costa Meira tentaram impedir que o ex-estudante de Medicina deixasse o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Salvador, por entenderem que ele ainda representava risco para a sociedade e para a própria família. Condenado pela chacina no Morumbi Shopping, em São Paulo, em 1999, Mateus foi desinternado em 2024 após decisão da Justiça baiana.

Mateus da Costa Meira. (Reprodução)
Mateus da Costa Meira. (Reprodução)

O Ministério Público da Bahia e os pais de Mateus da Costa Meira tentaram impedir que o ex-estudante de Medicina deixasse o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Salvador, por entenderem que ele ainda representava risco para a sociedade e para a própria família. Condenado pela chacina no Morumbi Shopping, em São Paulo, em 1999, Mateus foi desinternado em 2024 após decisão da Justiça baiana.

Mateus da Costa Meira. (Reprodução)

Documentos do processo de execução penal, divulgados pelo jornal O Globo, mostram que, em um primeiro momento, os pais do ex-estudante não concordavam em recebê-lo em casa. Eles alegavam não ter condições de supervisioná-lo devido ao histórico de violência apresentado pelo filho.

Ministério Público apontou risco à sociedade

Nos autos, o Ministério Público da Bahia sustentou que não havia elementos suficientes para comprovar a cessação da periculosidade de Mateus. Os promotores também afirmaram que faltava um estudo social para avaliar se os pais, ambos idosos, teriam condições de exercer controle sobre o comportamento do filho.

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Além disso, o órgão destacou a ausência de um plano de prevenção de riscos para proteger tanto o paciente quanto seus familiares e a sociedade. Para o MP, novas avaliações psiquiátricas deveriam ser realizadas antes de qualquer decisão sobre a desinternação.

Em um dos documentos, integrantes do Ministério Público ressaltaram que os laudos descreviam Mateus como uma pessoa de diagnóstico complexo e defendiam uma análise mais aprofundada da sua capacidade de lidar com situações do cotidiano.

Pais mudaram de posição após fechamento da unidade

Inicialmente, os pais informaram à Justiça que não poderiam acolher o filho por causa de episódios anteriores de violência doméstica. Segundo os autos, Mateus teria agredido fisicamente a mãe em diferentes ocasiões, perseguido a irmã com uma faca dentro de casa e desferido um soco no pai, causando a fratura de três costelas.

Posteriormente, diante da desativação do Hospital de Custódia da Bahia e da inexistência de outra unidade para recebê-lo, o casal mudou de posição. Eles afirmaram que preferiam passar os últimos anos de vida próximos do filho. Mesmo assim, por precaução, Mateus passou a morar sozinho em uma quitinete localizada a cerca de uma quadra do Shopping Barra, em Salvador.

Histórico da chacina

Mateus da Costa Meira foi condenado inicialmente a 120 anos de prisão pelo ataque ocorrido em novembro de 1999, quando entrou armado em uma sala de cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo. Na ocasião, ele matou três pessoas e deixou outras nove feridas.

Em 2004, foi transferido para a Bahia para cumprir pena próximo da família. No ano seguinte, enquanto estava preso na Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, tentou matar um companheiro de cela com golpes de tesoura.

Após novo julgamento, a Justiça da Bahia considerou o ex-estudante inimputável por transtorno mental e determinou o cumprimento de medida de segurança em hospital de custódia, onde permaneceu até 2024.

Laudos apontavam transtornos e risco de violência

Antes da desinternação, uma equipe formada por psiquiatras e profissionais do Hospital de Custódia concluiu que Mateus apresentava transtorno de personalidade esquizoide com evolução para esquizofrenia paranoide, além de traços significativos de transtorno de personalidade antissocial e psicopatia.

Os laudos também registravam histórico de abuso de cocaína e álcool, delírios persecutórios, alucinações auditivas, impulsividade, baixa tolerância à frustração, dificuldade de convívio social e elevado risco de comportamento violento.

Na avaliação dos especialistas, ele ainda representava risco para si e para terceiros e deveria permanecer afastado do convívio social, sob tratamento psiquiátrico contínuo.

Lista de possíveis vítimas reforçou preocupação

Outro ponto citado no processo foi a existência de uma lista manuscrita elaborada por Mateus enquanto ainda estava preso em São Paulo. Segundo os autos, o documento continha nomes de pessoas que ele pretendia matar, entre elas jurados do julgamento da chacina, advogados que atuaram em sua defesa, jornalistas, médicos e psiquiatras que produziram laudos desfavoráveis aos seus interesses. Para o Ministério Público, esse material reforçava as preocupações em relação à periculosidade do ex-estudante.

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Presença em shopping gerou repercussão

Após ganhar liberdade, Mateus passou a ser visto com frequência no Shopping Barra, em Salvador, inclusive em salas de cinema, o que gerou repercussão nas redes sociais devido ao histórico do ataque cometido em 1999. Em uma das ocasiões, ele foi fotografado ao lado da mãe na praça de alimentação do centro comercial.

Após a divulgação das imagens, a administração do shopping informou que mantém protocolos permanentes de segurança, monitoramento por câmeras, equipes especializadas e atuação integrada com os órgãos públicos para preservar a segurança de clientes, lojistas e funcionários.

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