O Paraná se tornou o primeiro estado brasileiro a testar uma plataforma de inteligência artificial para auxiliar médicos do SUS no diagnóstico e definição de tratamentos contra o câncer. A tecnologia já está sendo utilizada em hospitais de Guarapuava e Londrina e cruza dados clínicos com casos registrados em todo o mundo.
O Paraná se tornou o primeiro estado do Brasil a testar o uso de inteligência artificial (IA) no Sistema Único de Saúde (SUS) para auxiliar médicos no diagnóstico e no tratamento de pacientes com câncer. A iniciativa faz parte do chamado Projeto Capricórnio, desenvolvido em parceria entre o Governo do Paraná e o Google.

IA atuou de forma integrada às reuniões multidisciplinares da equipe médica (Tumor Board), cruzando dados moleculares complexos em tempo recorde (Foto: Magnific/Reprodução)
A tecnologia está sendo utilizada, em fase de testes, em hospitais de Guarapuava, na região central do estado, e Londrina, no norte paranaense. A expectativa é que a ferramenta contribua para diagnósticos mais precisos e decisões terapêuticas mais rápidas.
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Como funciona a plataforma
O sistema recebe o histórico clínico do paciente e cruza essas informações com milhares de casos semelhantes registrados em diferentes países. A inteligência artificial organiza estudos científicos, artigos médicos e experiências clínicas para apresentar aos especialistas possíveis caminhos para o tratamento.
Segundo os profissionais envolvidos, a ferramenta reduz significativamente o tempo necessário para localizar informações relevantes sobre casos raros ou complexos.
“O que demoraria dias ou semanas a gente consegue em poucos minutos”, explicou o oncologista Nelson Morozini, de Guarapuava.
De acordo com o médico, muitas pesquisas importantes deixam de ser encontradas em buscas tradicionais porque utilizam nomenclaturas diferentes para descrever uma mesma doença. A inteligência artificial consegue identificar essas relações e ampliar o alcance da pesquisa médica.
Casos raros recebem apoio da tecnologia
Desde abril, a plataforma já foi utilizada em mais de 40 pacientes atendidos em Londrina.
Entre eles está o caminhoneiro Cleverson Ramos de Col, morador de Candói, que descobriu um câncer considerado raro em novembro de 2025.
Segundo os médicos, a inteligência artificial localizou casos semelhantes na literatura científica internacional, permitindo uma investigação genética mais aprofundada e aumentando a precisão na definição do tratamento.
“Encontramos outros casos semelhantes na literatura mundial, o que guiou a gente à questão genética e à pesquisa do genoma em relação ao paciente”, explicou Nelson Morozini.
Paciente relata esperança com novo recurso
Para Cleverson, saber que o tratamento indicado pela equipe médica também foi apontado pela plataforma trouxe mais confiança durante o combate à doença.
“Dá uma segurança para a gente. O que me deixou mais contente foi ver que a medicação que eu estava tomando é a que a plataforma indicou. Isso passa uma energia muito positiva”, afirmou.
Expansão dependerá dos resultados
O Governo do Paraná informou que a ampliação do Projeto Capricórnio para outras regiões do estado dependerá dos resultados obtidos nos hospitais que participam da fase piloto.
Caso a experiência seja bem-sucedida, a expectativa é ampliar o uso da inteligência artificial para beneficiar um número maior de pacientes atendidos pelo SUS, oferecendo mais rapidez, precisão e apoio aos profissionais de saúde na tomada de decisões clínicas.
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