A Polícia Civil investiga o desaparecimento do jogador de futebol amador Guilherme Henrique Borges Paes, de 27 anos, levado à força por pelo menos cinco homens durante uma partida em Ribeirão Preto (SP) no domingo (19). Um inquérito foi aberto por sequestro e cárcere privado. A polícia apura a hipótese de envolvimento de um “tribunal do crime”, divulgada nas redes sociais, mas ainda sem confirmação oficial.

Guilherme Henrique Borges Paes, de 27 anos (Foto: Arquivo pessoal)
Guilherme Henrique Borges Paes, de 27 anos (Foto: Arquivo pessoal)

A Polícia Civil de Ribeirão Preto (SP) investiga o desaparecimento do jogador de futebol amador Guilherme Henrique Borges Paes, de 27 anos, levado à força durante uma partida no bairro Vila Carvalho, na Zona Norte da cidade, no último domingo (19). Um inquérito foi instaurado para apurar os crimes de sequestro e cárcere privado. Desde então, o jogador não foi mais localizado.

O delegado José Carvalho de Araújo Júnior, chefe da Delegacia de Investigações Criminais (Deic) de Ribeirão Preto (SP) — Foto: Aurélio Sal/EPTV

O delegado José Carvalho de Araújo Júnior, chefe da Delegacia de Investigações Criminais (Deic) de Ribeirão Preto (SP) — Foto: Aurélio Sal/EPTV

De acordo com o boletim de ocorrência e relatos colhidos pela polícia, Guilherme foi abordado por pelo menos cinco homens que chegaram ao campo em um carro preto. Testemunhas viram o momento em que ele foi colocado no veículo e levado embora. A irmã do jogador recebeu uma ligação informando que ele havia sido retirado do local por desconhecidos.

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Hipótese de “tribunal do crime” é investigada

Informações divulgadas nas redes sociais levantaram a hipótese de que Guilherme teria sido alvo de um chamado “tribunal do crime”, prática em que integrantes de organizações criminosas aplicam punições próprias contra pessoas acusadas de descumprir regras internas do grupo. O delegado José Carvalho de Araújo Júnior, chefe da Delegacia de Investigações Criminais (Deic) de Ribeirão Preto, explicou que se trata de “uma prática paralela usada por criminosos que fazem justiça por algo que eles consideram contra a lei deles.”

Até o momento, no entanto, não há confirmação oficial dessa versão. Segundo o delegado, os investigadores tomaram conhecimento das acusações apenas pelas redes sociais e trabalham para verificar a origem e a veracidade do material que circula na internet. Também estão sendo analisados vídeos e imagens atribuídos a Guilherme envolvendo abuso sexual infantil. A polícia apura se o conteúdo é autêntico e qual a possível relação com o desaparecimento.

“É importante que a gente fiscalize o quanto antes tudo que foi tornado público através dessas redes, para saber de onde veio, para saber realmente se isso é real ou não”, afirmou Araújo Júnior.

O delegado ressaltou que a existência de um tribunal paralelo é inadmissível e que as investigações vão identificar e responsabilizar os envolvidos independentemente de qualquer acusação que possa existir contra o jogador. “Nós vamos trabalhar para localizar e esclarecer, se é que houve envolvimento com esse tal ‘tribunal do crime’. Mas o nosso trabalho é justamente esse, ir a fundo, e resolver a questão, indicar quem esteve envolvido e punir essas pessoas com a lei.”

Namorada ameaçou a família e é aguardada para depor

O boletim de ocorrência registra que, na véspera do desaparecimento, Guilherme discutiu com a namorada e ela saiu da casa levando o celular do jogador e R$ 100 que estavam na capinha do aparelho. Quando a mãe de Guilherme ligou para o número, a nora a ameaçou de morte, afirmando também que mataria o jogador. No dia seguinte, a namorada voltou à casa para procurar por ele e foi informada de que estava no campo. O boletim também foi registrado como ameaça e furto. A namorada é esperada pela polícia para prestar depoimento.

Falta de câmeras e silêncio de testemunhas dificultam apuração

O delegado apontou que uma das principais dificuldades do caso é a escassez de informações vindas de pessoas que estavam no local. O campo onde a partida ocorria não possui câmeras de monitoramento e está em uma área onde, segundo o delegado, os frequentadores costumam evitar contato com a polícia. “Ali não tem qualquer câmera. É realmente um ambiente que o próprio pessoal que frequenta impede qualquer monitoramento”, afirmou. A análise de celulares e a tomada de depoimentos são os principais meios de apuração em andamento.

A Polícia Civil pede que qualquer pessoa com informações sobre o paradeiro de Guilherme ou sobre o grupo que o levou entre em contato pelo Disque-Denúncia, no número 181. O anonimato é garantido.

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