O Brasil registrou um recorde de feminicídios em 2025, com 1.571 mulheres assassinadas por razões de gênero, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta quarta-feira (23). Enquanto quatro mulheres foram mortas por dia, em média, o país alcançou o menor número de mortes violentas intencionais dos últimos 13 anos, com queda de 8% em relação a 2024.

(Foto: Divulgação / Governo de SP)
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O Brasil bateu um novo recorde de feminicídios em 2025. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na última quarta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados 1.571 feminicídios ao longo do ano passado, um aumento de 4% em comparação aos 1.504 casos registrados em 2024.

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O número representa uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em razão da condição de gênero, sendo o maior desde que o feminicídio passou a ser tipificado como crime no Código Penal, em 2015.

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Segundo a legislação brasileira, o feminicídio é caracterizado quando o assassinato ocorre em contexto de violência doméstica e familiar ou por menosprezo e discriminação contra a condição de mulher.

Brasil registra menor número de mortes violentas desde 2012

Apesar da alta dos feminicídios, o levantamento aponta uma redução nas mortes violentas intencionais em todo o país.

Foram 40.775 vítimas em 2025, uma queda de 8% em relação às 44.126 registradas em 2024, alcançando o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012.

Também foi a primeira vez que o Brasil registrou uma taxa inferior a 20 mortes violentas por 100 mil habitantes, chegando a 19,1 casos por 100 mil habitantes.

Entre os estados que apresentaram as maiores reduções nas mortes violentas estão:

  • Amazonas: queda de 32,5%;
  • Rio Grande do Sul: redução de 25,7%;
  • Mato Grosso: diminuição de 23,2%.

As mortes violentas intencionais incluem homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes provocadas por intervenções policiais.

Especialistas apontam aumento real dos feminicídios

Para a coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Juliana Brandão, o crescimento dos feminicídios não pode ser explicado apenas pela melhora na identificação dos casos.

Segundo a especialista, o aumento contínuo ao longo dos últimos anos indica que há sinais consistentes de crescimento real da violência letal contra mulheres.

Ela também destaca que diversos outros indicadores de violência doméstica cresceram em 2025, reforçando a percepção de agravamento do cenário.

Violência contra mulheres também aumentou

Além dos feminicídios consumados, o anuário aponta crescimento em praticamente todos os principais indicadores relacionados à violência contra mulheres.

Os dados mostram aumento de:

  • 6% nas tentativas de feminicídio;
  • 2,6% nas agressões decorrentes de violência doméstica;
  • 17% nos casos de violência psicológica;
  • 17% nos registros de descumprimento de medidas protetivas;
  • 30% nos casos de stalking (perseguição);
  • 0,5% nas ocorrências de ameaças.

Segundo o levantamento, para cada feminicídio consumado foram registradas três tentativas de assassinato.

Para Juliana Brandão, a violência doméstica permanece ligada à desigualdade de gênero, ao controle exercido por agressores sobre as vítimas e às dificuldades enfrentadas pelo Estado para interromper ciclos de violência antes que eles terminem em morte.

Mortes provocadas por policiais aumentam

O estudo também aponta crescimento das mortes decorrentes de intervenção policial.

Em 2025, esses casos aumentaram 5%, enquanto o número de policiais mortos apresentou queda de 3%.

Segundo o gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, David Marques, embora a redução geral da violência seja um resultado importante, o crescimento dos feminicídios e das mortes em ações policiais continua sendo um dos principais desafios para as políticas públicas de segurança.

Outros destaques do Anuário

O levantamento também identificou outros indicadores relevantes da segurança pública brasileira:

  • As dez cidades mais violentas do país estão localizadas no Nordeste, sendo cinco delas na Bahia;
  • Santa Catarina passou a registrar a menor taxa de mortes violentas do Brasil, superando São Paulo pela primeira vez desde 2014;
  • Os registros de produção, posse e distribuição de material de abuso sexual infantil cresceram 25%;
  • Casos de bullying e cyberbullying aumentaram mais de 60% entre jovens;
  • O número de adolescentes em medidas socioeducativas caiu 54% nos últimos nove anos;
  • A população carcerária chegou a 964 mil pessoas, podendo ultrapassar 1 milhão de presos até 2027 caso a tendência continue;
  • O país possui cerca de 2,1 milhões de pessoas e empresas autorizadas a possuir armas, sendo aproximadamente 1 milhão de registros de CACs (Caçadores, Atiradores e Colecionadores). Segundo o estudo, três em cada dez armas cadastradas estão com o registro vencido.

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